“SAMPA NUNCA ESTEVE TÃO PARAIBANA” por Stenio

…Seguindo a mesma temática dos “anos de chumbo”, embora o recorte pretenda ir além do AI-5 (Ato Institucional n.5) de 1968, o Coletivo de Teatro Alfenim apresentou o espetáculo “O milagre brasileiro”. O dramaturgo paulista Márcio Marciano, ex-diretor da Companhia do Latão, retornou a São Paulo com um coletivo formado por paraibanos de gerações e carreiras artísticas diferentes. Como foi especial ouvir sotaque paraibano na Funarte! Ainda mais por que a encenação não deixava se prender ou ser conduzida por uma narrativa.
A encenação orientou, para além da história “motivadora”, algumas questões sobre a dramaturgia cênica. Sem dúvidas, aquele teatro de fragmentos, jogos experimentados pelos atores em cena, estudos sobre construção cenográfica e de iluminação cênica e o movimento de ir e vir do real à farsa, lembravam uma mistura de Bertold Brecht e Nelson Rodrigues, em um encenação dialética que é criativa e autônoma. “Se tirarmos a história, o que resta ao teatro? Narrar-se a si mesmo?”. Eis uma das mais interessantes provocações que o Coletivo Alfenim propôs a sua platéia paulistana.
No elenco estava a dama do teatro paraibano, Zezita Matos, mostrando sua versatilidade na mais nova afinidade teatral que se arranjou. Em cena, Verônica Sousa segurava um batom com sua mão direita e me pedia para eu deixar de ser um mero espectador e me convida para ser um sujeito-igual-a-ela naquele dueto de experimentação. E experimentamos de maneiras diferentes uma, duas, três vezes em cena, até que saiu nas salas de cinema da capital o filme “O grão”. O premiado filme de Petrus Cariry e Ivo Lopes apareceu no circuito paulista, depois de dois anos de mostras, festivais e premiações. Poucos diálogos incrementam as tensões entre personagens, planos construídos magistralmente e que destacavam também a atuação de Nanego Lira e de Verônica Sousa, em uma das mais brilhantes encenações cinematográficas…
 
Nunca me senti tão confortável em São Paulo, era como se estivesse em João Pessoa vendo uma peça na Piollin, uma exposição na Galeria Archidy Picado ou uma mostra de filmes no Cine Bangüe. Nunca me senti tão paraibano entre os concretos da terra da garoa. Certamente, essa experiência de julho de 2010 me deu aquela saudade que só que vai se resolver quando meus pés sentirem as areias quentes de Tambaú.
 
Cálice!
 
Postado por Stênio
LEIA O TEXTO NA ÍNTEGRA DIRETO NO BLOG:
http://ca-li-ce.blogspot.com/2010/08/sampa-nunca-esteve-tao-paraibana.html

Deixe uma resposta

Responda para enviar * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.

                 
%d blogueiros gostam disto: