MILAGRE BRASILEIRO ESTREIA EM MARÇO DE 2010

Novo espetáculo do Coletivo de Teatro Alfenim
Tem estreia prevista para março de 2010
 
MILAGRE BRASILEIRO
Tentativas sobre a venalidade humana por Márcio Marciano
 
Desde os primeiros anos de minha formação em Teatro na universidade, venho me dedicando a pesquisar e produzir uma dramaturgia que dialogue criticamente com a realidade social brasileira. Este interesse ganhou expressão e pôde se concretizar ao longo dos últimos dez anos em uma produtiva parceria com Sérgio de Carvalho, na Companhia do Latão, de São Paulo. Nesse período escrevemos e encenamos mais de uma dezena de peças, sete delas recém lançadas em livro pela Editora Cosac Naif (agosto de 2008). Residindo desde 2006 na cidade de João Pessoa, formei novo grupo, o Coletivo de Teatro Alfenim, para dar continuidade à pesquisa em dramaturgia nos moldes do que vinha desenvolvendo em São Paulo. Com o novo núcleo de pesquisa escrevi “Quebra-Quilos”, que retrata em chave épico-dialética um episódio obscuro da história da Paraíba, mas de reflexos visíveis na história do Brasil.
Trata-se do movimento de sedição popular contra a implantação do sistema métrico decimal, ocorrido em fins do século XIX, que se espalhou pelo sertão paraibano atingindo os estados de Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte. Atualmente em repertório, o espetáculo cumpriu agenda de apresentações em Festivais como o FENART (Festival Nacional de Artes da Paraíba), Festival de Inverno de Garanhuns, Festival de Nacional de Teatro e Dança de Campina Grande, Mostra SESC Cariri de Teatro, Festival de Teatro Nacional do Recife, Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo, de São Paulo, Festival Nacional de Teatro de Guaramiranga, Palco Giratório/SESC, além de cumprir temporada nos Espaços Culturais da CAIXA de Brasília e Rio de Janeiro.
Embora com apenas um espetáculo em sua recentíssima trajetória, o Coletivo de Teatro Alfenim dá continuidade a uma experiência de mais de dez anos, marcada pelo exercício da escrita colaborativa a partir de experimentos de improvisação em sala de ensaio. Em João Pessoa, por razões óbvias, as condições materiais para a criação de uma dramaturgia em processo são historicamente menos favoráveis do que em São Paulo. Uma série de entraves que vão desde as condições físicas do espaço de ensaios até a pouca tradição em trabalhos de corte colaborativo representam um desafio maior, na medida em que exigem não apenas vitalidade para a criação, mas, sobretudo, disponibilidade para o aprendizado de novas formas de produção da cena. Por conta dessa particularidade, o processo de criação do espetáculo “Quebra-Quilos”, superou as expectativas e o resultado tem despertado o interesse do público e recebido excelente recomendação da crítica especializada.

O novo espetáculo do grupo, Milagre Brasileiro, irá tratar de época recente e sistematicamente obscurecida de nossa História, os “anos de chumbo”, pós-AI-5, período em que se intensificou no Brasil a prática da tortura como política de Estado. A intenção não é a de produzir um libelo contra a repressão política, numa perspectiva auto-indulgente e melodramática, uma vez que nos colocamos historicamente do lado de quem saiu perdendo, tanto do confronto ideológico quanto das armas, mas o de observar as contradições de um período culturalmente riquíssimo, capaz de gerar ao mesmo tempo o terror que grassava e a irreverência potencialmente revolucionária da contracultura, com seus posteriores desvios e adesões reacionárias.
O desejo de abordar um assunto brasileiro traumático e ao mesmo tempo tão próximo – no grupo, quem não nasceu às vésperas do Golpe, de algum modo lutou contra a Ditadura –, aliado à necessidade de continuar uma pesquisa em dramaturgia que ponha em primeiro plano as contradições históricas de um momento da vida brasileira marcado pela intolerância do acirramento ideológico e pela violência em nome da “segurança nacional”, move a pesquisa atual do grupo. Contemplado com o Prêmio Myriam Muniz de Teatro – FUNARTE, Milagre Brasileiro estréia em março de 2010.

Apenas um comentário deixado Veja o comentários

  1. Anonymous /

    Olá Alfeninos!! Neste final de semana fui à Funarte e fiquei muito feliz com o que vi. ótimo espetáculo. Criativo no diálogo entre clássico e popular, já indiquei para amigos. Parabéns! Uma pergunta: vocÊs conhecem Osvaldo Anzolin, professor do curso de Artes Cênicas da UFPB? um abraço José Maurício Lima, São Paulo

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