FESTIVAL O MUNDO INTEIRO É UM PALCO – Algumas impressões, por Márcio Marciano

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A segunda edição do Festival O mundo inteiro é um palco, realizada em novembro de 2014, na cidade de Natal, pelo grupo Clowns de Shakespeare, reafirma e aprofunda uma virtude já entrevista na brancaleônica edição de 2013, idealizada e bancada às próprias custas por seus realizadores. Uma virtude rara ou ausente de alguns dos principais Festivais e Mostras de Teatro do país, marcados pelo burocratismo marqueteiro e pelo fetichismo da relação custo/benefício que, se por um lado, não é garantia de casa cheia, por outro, transforma a programação em mero evento midiático, desprovido de pensamento crítico e inchado de suspeitosas novidades.

Com seu Festival “caseiro”, mas altamente profissionalizado no que se refere à organização e ao perfil múltiplo e experimental da programação, os Clowns conseguem a proeza de reencontrar o elo perdido com os saudosos festivais e mostras de teatro amador ou universitário das décadas de 1970/90, nos quais grupos, artistas e público compartilhavam intensamente não apenas a experiência artística e os diversos fazeres teatrais, mas, sobretudo, um espaço comum e democrático de debate e reflexão.

Sem perder o frescor e o charme de um Festival de Bolso, esta edição ampliou e diversificou sua programação, de forma a conjugar ações formativas e de intercâmbio crítico com a exibição de espetáculos de longa carreira, experimentos cênicos recém-saídos do laboratório e uma boa amostragem do trabalho de grupos que se pautam pela pesquisa continuada e a procura de uma linguagem própria.

Destacam-se ainda nesta iniciativa o laboratório de crítica, que alimentou o debate sobre os espetáculos da programação com resenhas de seus participantes, através de um boletim diário impresso e distribuído gratuitamente; a consolidação do projeto de cenas curtas à entrada do Barracão dos Clowns, abrindo a programação da noite; e a abertura de processo de montagem seguida de debate, que teve como primeiro convidado o Coletivo de Teatro Alfenim.

Também cabe salientar que, para além do esmero da programação, um dos principais acertos do Festival foi proporcionar aos artistas, profissionais e grupos convidados tempo e espaço de encontros durante toda a duração do evento. Seja nos descansados cafés da manhã, seja nos deslocamentos em grupo para as atividades durante o dia, seja na hora das refeições ou nos eventos de confraternização, os Clowns tiveram o cuidado de estimular momentos de intercâmbio entre os participantes de forma a fazer valer a máxima shakespeariana de que “o mundo inteiro é um palco”.

Apenas um comentário deixado Veja o comentários

  1. Titina /

    Que bom que tem sido valioso para o Alfenim. Para nós dos Clowns esse festival é um presente e ter vocês em nosso festival é uma alegria sem tamanho. Que venham sempre e mais e mais queridos.

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