• “O DIREITO AO TEATRO” por Sérgio de Carvalho

    O texto a seguir foi escrito por Sérgio de Carvalho, diretor e dramaturgo da Companhia do Latão. Publicado originalmente na revista Observatório Itaú Cultural : OIC. – n. 13 (set. 2012). – São Paulo : Itaú Cultural, 2012, p. 85-92. ISSN 1981-125X. Versão eletrônica: http://d3nv1jy4u7zmsc.cloudfront.net/wp-content/uploads/2013/01/Revista-Observatório-IC-n.13.pdf

    Não há muita dúvida de que o teatro é o setor da vida cultural brasileira em que o engajamento na questão das “políticas culturais do Estado” se encontra mais avançado. Setores dos produtores independentes têm acompanhado de perto e tentado influenciar, através de cafezinhos, seminários e páginas nos jornais, a recente discussão sobre o Procultura, uma reforma da Lei Rouanet que pretende fortalecer as verbas diretas do Fundo de Cultura e controlar na medida do possível os diretores de marketing que hoje decidem sobre o patrocínio das artes com recursos de renúncia fiscal. Integrantes do movimento de teatro de grupo, por sua vez, tentam trazer à pauta o Prêmio de Teatro Brasileiro, uma tentativa de viabilizar montagens e processos de pesquisa com recursos geridos diretamente pelo governo. Diante de tal movimentação, alguém poderia imaginar que existe no setor alguma organização e acúmulo teórico, o que não é uma mentira plena quando comparamos o teatro com as outras artes. Entretanto, o avanço relativo não esconde que o quadro atual da reflexão é de uma completa indigência crítica quando se trata de uma verdadeira “política cultural”.  [Leia mais…]
  • “OS CAMINHOS DO TEATRO POLÍTICO NA CENA CONTEMPORÂNEA” por Márcio Marciano

     

    É possível afirmar que existe hoje um Teatro Político? E se existe, o que o diferencia de um Teatro que deliberadamente se posiciona contra toda forma de discurso político? Não será essa posição também ela uma forma política? O que torna político o ato teatral? A forma “Teatro Político” não será uma tautologia? Estas questões não pedem respostas, apenas apontam o lugar da experiência na cena contemporânea.

    É sempre espinhoso falar de Teatro Político porque o espaço onde se estabelece a discussão sobre este tema é um campo minado de certezas apaixonadas. Para quem acredita que o Teatro pode ter ainda alguma relevância enquanto meio de transformação social, a fórmula “teatro político” é uma redundância, já que toda ação que se propõe como emancipadora das potencialidades humanas – e o Teatro pode e deve ter essa pretensão –, é uma ação política. Para aqueles, entretanto, que veem o Teatro enquanto livre expressão dessas mesmas potencialidades humanas, sem compromisso direto com uma agenda de transformações sociais, a Arte já é em si mesma uma manifestação política. Em suma, para usar um clichê recorrente na atualidade, podemos afirmar que “todo teatro é político”.
    Sendo assim, embora pareça evidente o antagonismo dessas posições sobre o que pode ser a função e a vocação do Teatro, para ambas, a política é imanante ao fazer teatral. Esse aparente consenso não resolve a questão, ao contrário, é justamente por servir de argumento a ambos os lados que a política se torna um tema complexo quando se trata de aferir sua influência no âmbito das artes cênicas, como de resto da arte em geral. [Leia mais…]
  • FIGURAÇÕES DO FETICHISMO

    Conversa com Iná Camargo Costa sobre O DEUS DA FORTUNA, do Coletivo de Teatro Alfenim (Teatro de Arena Eugênio Kusnet, São Paulo, julho de 2012)* 

     
     Iná Camargo – A conversa deve ser rápida. O assunto é O Deus da Fortuna. Como vocês viram, eu adorei. Assisti duas vezes. Da primeira, reclamei porque a cena dos bonecos é uma coisa tão maravilhosa que nem prestei atenção no texto, só na segunda vez consegui . Reclamei também da cena final que sobrepõe o coro ao texto. Também na segunda vez não deu pra ouvir direito . Não sei se avisaram a vocês, mas não conseguimos ouvir vários sons ao mesmo tempo, quando se trata de sons articulados em palavras. Você não consegue decifrar palavras diferentes ditas ao mesmo tempo. Leia lá, Mário de Andrade – A escrava que não é Isaura – ele explica isso didaticamente, porque a palavra articulada precisa ser ordenada, combinada de modo que se possa ouvir uma de cada vez. Então, dois discursos ao mesmo tempo fica impossível. E no caso ali não eram nem dois porque tinha também o discurso visual do 11 de Setembro e companhia. [Leia mais…]
  • ENTREVISTA COM MÁRCIO MARCIANO À FOLHA DE S.PAULO

    O diretor e dramaturgo, Márcio Marciano, concedeu entrevista à jornalista Gabriela Mellão, da Folha de S.Paulo, para a elaboração de matéria sobre grupos de teatro do Norte e Nordeste que estão em temporada em São Paulo. Leia abaixo, as questões formuladas para a edição da reportagem publicada na Folha Ilustrada, no dia 12 de julho.

    Gabriela Mellão- Qual a importância de se apresentar (e se destacar) em SP para vocês, um grupo de fora do eixo? E as dificuldades?
    Márcio Marciano- As dificuldades são imensas, mas não incontornáveis. Somos uma equipe de 14 pessoas, é difícil viajar com um grupo desse porte por razões óbvias, é muito caro, dependemos de editais de circulação ou de ocupação de equipamentos culturais públicos, como é o caso do Arena. Em 2010, estivemos em São Paulo, ocupando a Sala Renée Gumiel, também da Funarte. Para o Coletivo de Teatro Alfenim, essas temporadas são fundamentais, é uma oportunidade de apresentar os resultados de nossa pesquisa. Em cinco anos de existência, o grupo já criou cinco espetáculos com dramaturgia própria. Nesta temporada de ocupação do Arena, como grupo convidado da Companhia do Latão, vamos apresentar parte do nosso repertório, além de manter as atividades habituais de ensaio. Como fazemos um teatro marcadamente na contramão, estamos duplamente à margem do mercado cultural do eixo, tanto pela distância geográfica quanto pelo posicionamento político. Neste sentido, estar no Arena é importantíssimo por tudo o que esse espaço representa.  [Leia mais…]
  • “UMA POÉTICA LIÇÃO DE ECONOMIA” Eliane Lisbôa*

    Quando o trabalho de Bertolt Brecht espalhou-se pela Europa e chegou às Américas, nos anos 60, tornou-se frequente a realização de espetáculos apoiando-se em concepções dadas como suas, que, na maioria das vezes, implicavam basicamente num palco vazio no qual os atores, mesmo fora da cena, ali permaneciam, e quando dentro dela, a intervalos regulares dirigiam-se ao público. Embora acreditando seguir a cartilha brechtiana, muitos destes espetáculos, na maioria das vezes, não revelavam o mínimo senso dialético, sendo óbvios, redundantes quando não ministrando aulas enfadonhas, em tom professoral, ensinando a um público simplório a solução para os problemas do mundo.  Ainda que nem todas as montagens de “caráter” brechtiano pecassem a este nível, muitas delas o fizeram, e por muito tempo acreditou-se que ser brechtiano era ser chato. 
  • SOM E FÚRIA por Mariana Delfini

     
    Cena de Milagre Brasileiro, fotografada por Lenise Pinheiro


    “O que é humano”- Da peça “Milagre brasileiro”, do Coletivo de Teatro Alfenim, de João Pessoa (PB). Criação de Wilame AC, Diego Sousa, Paula Coelho e Márcio Marciano, com direção musical de Wilame AC. O espetáculo, que trata dos desaparecidos políticos da ditadura militar, é o segundo trabalho do grupo paraibano, coordenado por Márcio Marciano (um dos fundadores da Companhia do Latão).
    O que é humano – Coletivo de Teatro Alfenim by Bravo Online


    Para ver o post completo e ouvir trechos das músicas indicadas basta copiar e colar no seu navegador o link abaixo e confira na íntegra o post no Blog Galharufa.

    http://bravonline.abril.com.br/blogs/galharufa/

  • ‘A MEDIDA DO COLETIVO DE TEATRO ALFENIM” por Valmir Santos

    Os dois primeiros espetáculos do Coletivo de Teatro Alfenim (João Pessoa, 2006) conformam o pensamento artístico e crítico de seu idealizador, o diretor e dramaturgo Márcio Marciano. As encenações e os textos reavivam memórias embotadas da Paraíba e do Brasil e trazem boas perspectivas à capital rarefeita em pesquisa vertical e continuada. Terra onde Ariano Suassuna (1927) e Paulo Pontes (1940-76) semearam dramaturgias de referência. Sede de grupos como o Bigorna (1968) e o Piollin (1977), tão maturados como bissextos em suas criações. [Leia mais…]
  • “SAMPA NUNCA ESTEVE TÃO PARAIBANA” por Stenio

    …Seguindo a mesma temática dos “anos de chumbo”, embora o recorte pretenda ir além do AI-5 (Ato Institucional n.5) de 1968, o Coletivo de Teatro Alfenim apresentou o espetáculo “O milagre brasileiro”. O dramaturgo paulista Márcio Marciano, ex-diretor da Companhia do Latão, retornou a São Paulo com um coletivo formado por paraibanos de gerações e carreiras artísticas diferentes. Como foi especial ouvir sotaque paraibano na Funarte! Ainda mais por que a encenação não deixava se prender ou ser conduzida por uma narrativa. [Leia mais…]
  • “MÁRCIO MARCIANO TRAZ CENA ÉPICA DA PARAÍBA por Maria Eugênia de Menezes

    Ex-cia. do Latão, diretor mostra espetáculos de seu novo grupo, Alfenim.
    Muita coisa mudou na vida de Márcio Marciano. Nos últimos quatro anos, o diretor viu tudo, ou quase tudo, sair do lugar. Deixou São Paulo, transferiu-se para João Pessoa, e largou, depois de dez anos, o lugar que ocupava à frente da Companhia do Latão, um dos mais celebrados coletivos do País.
    Pouca coisa mudou no teatro de Márcio Marciano. Nesse tempo em que passou no Nordeste, ele tratou de encontrar e se aproximar dos seus pares. Por lá, criou um grupo próprio, o Alfenim, e permaneceu a caminhar pelo território onde se sente mais à vontade: uma dramaturgia filiada à Bertolt Brecht e ao seu olhar épico. [Leia mais…]
  • ALFENIM TRAZ A SP CICLO DE PEÇAS DE VIÉS “DIALÉTICO”- por Gabriela Mellão


    Coletivo da Paraíba é liderado por Márcio Marciano, ex-Cia. do Latão.
    Dramaturgo afirma que coletânea de montagens traduz busca do grupo pelo “vigor da terra e a delicadeza da forma”

    GABRIELA MELLÃO
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SÃO PAULO

    Alfenim é uma espécie de rapadura de formato arabesco. Bastante popular na Paraíba, o doce nomeia e simboliza o coletivo teatral de João Pessoa liderado por Márcio Marciano, que ganha mostra na cidade.
    “O confeito se parece com o que almejamos: um teatro que sintetize o vigor da terra e a delicadeza da forma”, diz Marciano, dramaturgo e diretor que, em 2006, após dez anos na Cia. do Latão, iniciou um novo ciclo de vida e arte na Paraíba.
    Fundou o Coletivo de Teatro Alfenim, que também é dedicado ao teatro dialético. “Buscamos a reflexão crítica de assuntos brasileiros que dizem respeito a todos nós, sejamos paulistas, amazonenses ou paraibanos”, afirma o diretor.
    Intitulada “Teatro Fora do Eixo”, a mostra apresenta debates, oficinas e espetáculos: “Milagre Brasileiro”, peça que fica em cartaz até o dia 1º de agosto, discute a ditadura militar, aproximando tematicamente o governo que tentou suprimir a história do país, por meio da censura, da ausência de fabulação que se costuma ver na dramaturgia contemporânea.
    “Quebra-Quilos”, o primeiro trabalho do grupo, apresentado no evento em agosto, estabelece um paralelo entre a Revolta dos Quebra-Quilos no sertão paraibano do final do século 19 e a globalização.
    Apesar de ser um dos Estados mais pobres do Brasil, é conhecida a riqueza teatral da Paraíba, que passou a contar também com a contribuição valiosa deste coletivo.
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    TEATRO FORA DO EIXO

    QUANDO sex. e sáb., às 21h, dom., às 20h; até 15/8
    ONDE Funarte (al. Nothmann, 1.058, tel. 0/xx/11/3662-5177)
    QUANTO R$ 10,00 (inteira); R$ 5,00 (meia entrada)
    CLASSIFICAÇÃO 14 anos

    26 de junho de 2010 – Folha de São Paulo
    fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2606201012.htm
                 
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