• SOM E FÚRIA por Mariana Delfini

     
    Cena de Milagre Brasileiro, fotografada por Lenise Pinheiro


    “O que é humano”- Da peça “Milagre brasileiro”, do Coletivo de Teatro Alfenim, de João Pessoa (PB). Criação de Wilame AC, Diego Sousa, Paula Coelho e Márcio Marciano, com direção musical de Wilame AC. O espetáculo, que trata dos desaparecidos políticos da ditadura militar, é o segundo trabalho do grupo paraibano, coordenado por Márcio Marciano (um dos fundadores da Companhia do Latão).
    O que é humano – Coletivo de Teatro Alfenim by Bravo Online


    Para ver o post completo e ouvir trechos das músicas indicadas basta copiar e colar no seu navegador o link abaixo e confira na íntegra o post no Blog Galharufa.

    http://bravonline.abril.com.br/blogs/galharufa/

  • ‘A MEDIDA DO COLETIVO DE TEATRO ALFENIM” por Valmir Santos

    Os dois primeiros espetáculos do Coletivo de Teatro Alfenim (João Pessoa, 2006) conformam o pensamento artístico e crítico de seu idealizador, o diretor e dramaturgo Márcio Marciano. As encenações e os textos reavivam memórias embotadas da Paraíba e do Brasil e trazem boas perspectivas à capital rarefeita em pesquisa vertical e continuada. Terra onde Ariano Suassuna (1927) e Paulo Pontes (1940-76) semearam dramaturgias de referência. Sede de grupos como o Bigorna (1968) e o Piollin (1977), tão maturados como bissextos em suas criações. [Leia mais…]
  • “SAMPA NUNCA ESTEVE TÃO PARAIBANA” por Stenio

    …Seguindo a mesma temática dos “anos de chumbo”, embora o recorte pretenda ir além do AI-5 (Ato Institucional n.5) de 1968, o Coletivo de Teatro Alfenim apresentou o espetáculo “O milagre brasileiro”. O dramaturgo paulista Márcio Marciano, ex-diretor da Companhia do Latão, retornou a São Paulo com um coletivo formado por paraibanos de gerações e carreiras artísticas diferentes. Como foi especial ouvir sotaque paraibano na Funarte! Ainda mais por que a encenação não deixava se prender ou ser conduzida por uma narrativa. [Leia mais…]
  • “MÁRCIO MARCIANO TRAZ CENA ÉPICA DA PARAÍBA por Maria Eugênia de Menezes

    Ex-cia. do Latão, diretor mostra espetáculos de seu novo grupo, Alfenim.
    Muita coisa mudou na vida de Márcio Marciano. Nos últimos quatro anos, o diretor viu tudo, ou quase tudo, sair do lugar. Deixou São Paulo, transferiu-se para João Pessoa, e largou, depois de dez anos, o lugar que ocupava à frente da Companhia do Latão, um dos mais celebrados coletivos do País.
    Pouca coisa mudou no teatro de Márcio Marciano. Nesse tempo em que passou no Nordeste, ele tratou de encontrar e se aproximar dos seus pares. Por lá, criou um grupo próprio, o Alfenim, e permaneceu a caminhar pelo território onde se sente mais à vontade: uma dramaturgia filiada à Bertolt Brecht e ao seu olhar épico. [Leia mais…]
  • ALFENIM TRAZ A SP CICLO DE PEÇAS DE VIÉS “DIALÉTICO”- por Gabriela Mellão


    Coletivo da Paraíba é liderado por Márcio Marciano, ex-Cia. do Latão.
    Dramaturgo afirma que coletânea de montagens traduz busca do grupo pelo “vigor da terra e a delicadeza da forma”

    GABRIELA MELLÃO
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SÃO PAULO

    Alfenim é uma espécie de rapadura de formato arabesco. Bastante popular na Paraíba, o doce nomeia e simboliza o coletivo teatral de João Pessoa liderado por Márcio Marciano, que ganha mostra na cidade.
    “O confeito se parece com o que almejamos: um teatro que sintetize o vigor da terra e a delicadeza da forma”, diz Marciano, dramaturgo e diretor que, em 2006, após dez anos na Cia. do Latão, iniciou um novo ciclo de vida e arte na Paraíba.
    Fundou o Coletivo de Teatro Alfenim, que também é dedicado ao teatro dialético. “Buscamos a reflexão crítica de assuntos brasileiros que dizem respeito a todos nós, sejamos paulistas, amazonenses ou paraibanos”, afirma o diretor.
    Intitulada “Teatro Fora do Eixo”, a mostra apresenta debates, oficinas e espetáculos: “Milagre Brasileiro”, peça que fica em cartaz até o dia 1º de agosto, discute a ditadura militar, aproximando tematicamente o governo que tentou suprimir a história do país, por meio da censura, da ausência de fabulação que se costuma ver na dramaturgia contemporânea.
    “Quebra-Quilos”, o primeiro trabalho do grupo, apresentado no evento em agosto, estabelece um paralelo entre a Revolta dos Quebra-Quilos no sertão paraibano do final do século 19 e a globalização.
    Apesar de ser um dos Estados mais pobres do Brasil, é conhecida a riqueza teatral da Paraíba, que passou a contar também com a contribuição valiosa deste coletivo.
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    TEATRO FORA DO EIXO

    QUANDO sex. e sáb., às 21h, dom., às 20h; até 15/8
    ONDE Funarte (al. Nothmann, 1.058, tel. 0/xx/11/3662-5177)
    QUANTO R$ 10,00 (inteira); R$ 5,00 (meia entrada)
    CLASSIFICAÇÃO 14 anos

    26 de junho de 2010 – Folha de São Paulo
    fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2606201012.htm
  • “FUTURO DESENTERRADO”, por Rogério Newton

    ENTREVISTA DE Márcio Marciano a Rogério Newton
    (Participações de Paula Coelho e Daniel Araújo)

     
    Rogério Newton: Quebra-Quilos e Milagre Brasileiro são espetáculos explicitamente políticos. É uma singularidade do Coletivo de Teatro Alfenim a escolha por essa temática?
     
    Paula Coelho: Sim, é uma escolha. Penso que a arte deve ter um fim, um objetivo, que o teatro é político e um ótimo espaço para discutir essas questões. Claro que são discussões bem diferentes. Eu não estava no elenco do Quebra-Quilos, que apresenta um tema já distanciado pela própria história (a revolta dos matutos ocorreu em fins do século XIX, no sertão paraibano). De alguma forma, quando você está mais distante do fato, tem condições de uma análise um pouco mais distanciada. A questão dos desaparecidos políticos da época da Ditadura, principalmente depois da decretação do AI-5, é uma fase muito próxima. Todo mundo que estava na plateia vivenciou pelo menos pedaços, restos, impressões. É um tema pouco divulgado, pouco esclarecido, talvez mais nebuloso, mais difícil de tratar. [Leia mais…]
  • BRECHT EM TEMPOS PÓS-DRAMÁTICOS

    Conversa de Márcio Marciano com alunos do curso de Artes e Mídia da UECG (Universidade Estadual de Campina Grande) – Novembro/2009.

    Vou começar nossa conversa com algumas perguntas simples: será que Brecht tem alguma utilidade hoje? Será que podemos extrair de seu pensamento, de seus poemas ou peças algum ensinamento que nos ajude a compreender o espírito do tempo? Será que vale a pena vasculhar em sua obra indicações de como agir nos dias atuais? Enfim, será que o poeta e dramaturgo alemão tem alguma coisa a nos dizer, a nós artistas e cidadãos comuns? [Leia mais…]

  • AS FICHAS SIMBÓLICAS DO “MILAGRE BRASILEIRO” por Augusto Magalhães

     
    Posicionados sobre o palco, tal qual peças de um mesmo jogo, público e elenco interagem como personagens de uma única história. Mais do que nunca, a certeza de que somos brasileiros. De que passamos por modelos de família e padrões a serem seguidos em determinado espaço, determinada época, determinada imposição de atos e fatos. O Coletivo Alfenim de Teatro, com o espetáculo “Milagre Brasileiro” consegue operar o milagre de fazer cada brasileiro olhar para si próprio, para dentro de sua alma, e buscar respostas para uma indagação que nos persegue há mais de quatro décadas: o que aconteceu conosco? [Leia mais…]
  • SOBRE O ESPETÁCULO “MILAGRE BRASILEIRO” por Renata Escarião


    Pude ouvir a respiração ofegante, meio soluçada, da pessoa sentada ao meu lado. Igualmente, senti o fôlego me faltar a cada sucessão de cena. Em alguns momentos uma forte luz amarela se acendeu bem acima da minha cabeça. Eu, platéia, me senti em cena, e senti toda minha aquela agonia.
    Senti a falta de ar dos corpos torturados no túmulo, das identidades perdidas em covas clandestinas do submundo de uma pátria.
    Senti a dor dos braços rebeldes calados em suas palavras de ordem, dos corações sedentos de esperança afogados no sangue da tirania. [Leia mais…]

  • APÓS O DRAMA:ALFENIM MONTA A DITADURA MILITAR por Giovanni Queiroz

    Alguns mortos não podem ser esquecidos; alguns mortos se recusam a morrer. Alguns fatos não podem ser esquecidos, alguns fatos recusam o esquecimento. Mas, vira e mexe, interessa para alguns que não se falem de determinados mortos, vira e mexe interessa a alguns que não se remexam em certos fatos, interessa a alguns que o passado seja esquecido, que a história seja emudecida, que alguns mortos restem insepultos.
    Essa história é antiga. Todos conhecemos a discussão de Antígona para enterrar Polinices, contra sua irmã Ismene, contra o rei Creonte; contra a lei, um direito mais antigo, um direito divino, irmanado da própria Justiça se interpõe. Desde então sabemos que lei (nomos) e justiça (dike) não se assemelham por completo e que, em muitos casos, há que se recorrer à justiça por cima de qualquer lei e para além de qualquer poder. [Leia mais…]
                 
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