• Fotos do espetáculo Memórias de um Cão

    Foto de Renato Domingos

    Foto de Renato Domingos

     

    Fotos de Felipe Ando

    Fotos de Felipe Ando

     

    Foto de Rosano Mauro

    Foto de Rosano Mauro

     

    Foto de Rosano Mauro

    Foto de Rosano Mauro

    Foto de Rosano Mauro

    Foto de Rosano Mauro

    Foto de Felipe Ando

    Foto de Felipe Ando

    Foto de Arthur Chagas

    Foto de Arthur Chagas

    Memórias de um cão (6)

  • CONSIDERAÇÕES SOBRE AS BREVIDADES DO COLETIVO DE TEATRO ALFENIM

     

    BREVIDADES

    Considerações sobre as Brevidades, do Coletivo de Teatro Alfenim,   por Alexandre Villibor Flory (UEM)

    Brevidades, Madeleines e Alfenins: história e representação artística

     Não é nada fácil fazer um comentário sobre Brevidades, espetáculo do Coletivo de Teatro Alfenim que se apresentou em novembro de 2013 em Maringá. Embora texto e encenação sejam curtos, há muita coisa em jogo, em cada nuance do texto ou no tom e textura da voz da atriz Zezita Matos, que interpreta Eleusa. São fragmentos de vida que atualizam séculos de história social e estética, num nível raramente alcançado. Desde que li o título da peça, ‘Brevidades’, fui imediatamente remetido a um lugar da memória que guardava uma espécie de bolinho feito de polvilho doce, curiosamente chamado de Brevidade, uma delícia com café. E, nessas horas, uma coisa puxa outra, não me contive e se impôs outra associação: o bolinho Brevidade ressoava na minha memória literária como uma espécie de madeleine proustiana. De certa forma, a concepção de história e de fazer literário de Proust respingava e fomentava minhas expectativas a respeito da peça. Sabia, por alto, que se tratava de uma mulher idosa, com Ahzheimer, que revisitava suas memórias e as embaçava com o presente, tão fugidio e fecundo à sensibilidade do idoso. Com isso, estava claro que o modo como essa narração se daria importava tanto quanto o conteúdo dela, pois a representação da memória pede uma posição sobre o passado. Tendo em vista o cenário contemporâneo, em que há uma espécie de culto à juventude e a um presente eternizado, materializado na idolatria do mundo virtual e nas plásticas mumificadoras que criam máscaras de felicidade, o passado é desprezado, e a rememoração considerada uma atividade arcaica. Esse mundo ainda tem lugar para uma madeleine mergulhada no chá, com um passado ressignificando o presente e a noção de futuro? [Leia mais…]

  • VIDA LOUCA, VIDA BREVE, por Regina Behar.

    BREVIDADES

    Texto crítico, na íntegra,  escrito pela historiadora Regina Behar sobre Brevidades

    Entramos no cenário e nos acomodamos no quarto de Eleusa. Ela aguarda. No meio da arena uma pequena cama, uma mesa redonda, uma penteadeira. Eleusa saboreia seu chá como se não nos visse. Depois olha em volta, pequenos goles, oferece biscoitos e começa o monólogo. Fala dos tempos áureos nos quais o chá era servido em grande estilo, com “biscoitos de nata, pães de minutos… as brevidades”. Rememora o tempo passado e percebe o choque do presente: o lugar não é nomeado, mas, é lá que descartam os alienados. Renega sua vida ali, onde pessoas sem consciência vagam sem saber quem são. O tempo passa e eles pioram, afirma Eleusa, ficam sem modos, agressivos, não se lembram de qualquer regra de etiqueta, e nem sequer de higiene. Aquele não é seu lugar. Ela despreza aquela gente e busca nossa cumplicidade.

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  • “NO SONO FINDAM-SE AS DORES DO CORAÇÃO” OU SOBRE BREVIDADES: NOTAS, por Romero Venâncio

    Texto escrito pelo professor Romero Venâncio sobre o monólogo Brevidades:

    “NO SONO FINDAM-SE AS DORES DO CORAÇÃO” OU SOBRE BREVIDADES: NOTAS

    “Pois o importante, para o autor que rememora, não é o que ele viveu, mas o tecido de sua rememoração, o trabalho de Penélope da reminiscência” (Walter Benjamin)

    Nunca uma frase veio tão em boa hora para definir o mais recente trabalho do Coletivo Alfenim da Paraíba. Falamos aqui da peça/monólogo “Brevidades” (2013) que tem como centro a história de uma atriz impossibilitada de exercer seu oficio por ser acometida do “mal de Alzheimer”. Só no tema já teríamos um desafio hercúleo para uma boa atriz. A velhice perde cada vez mais espaço no teatro, cinema ou televisão ou quando aparece é na forma pitoresca ou tola, próprio da maioria desses meios de comunicação atual. O trabalho de Márcio Marciano vai bem longe do modelo televisivo hegemônico e nos coloca de cara no impacto que representa esta doença que macula a memória de maneira irreversível e convoca-nos a pensar como é possível isto no teatro, arte da memória, por natureza. Mas muito do trabalho de direção deve a marcante atuação da atriz Zezita Matos. Atriz conhecida por filmes fortes na dramaturgia cinematográfica brasileira. Dirigida por Cláudio Assis ou Karin Ainouz, diretores dos mais importantes no cinema atual, Zezita desembarca do palco de “mala e cuia” e nos brinda com momentos de densidade cênica como poucos. [Leia mais…]

  • O COLETIVO ALFENIM E A TEIA DE RELAÇÕES EM QUE ESTAMOS, por Kil Abreu

    Segue na íntegra o texto de apresentação do repertório do Coletivo Alfenim, escrito pelo jornalista, crítico e curador do Centro Cultural de São Paulo, Kil Abreu. A montagem gratuita do repertório do grupo marca o início das ações do projeto Figurações Brasileiras, patrocinado pela Petrobras.
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  • ENTREVISTA AO JORNAL A NOVA DEMOCRACIA

    Entrevista de Márcio Marciano a Ana Lúcia Nunes do Jornal A Nova Democracia (RJ)

    A Nova Democracia: Por que o Alfenim é um laboratório e não um grupo teatral?
    Márcio Marciano: A ideia de laboratório surge de uma necessidade de estudo. Entramos na sala de ensaio com o propósito de estudar algum assunto que nos mobilize, um assunto que diga respeito à nossa vida, como brasileiros e cidadãos. O processo de aproximação aos temas se dá por meio de experimentos. Tentamos reproduzir uma atitude científica, estabelecemos hipóteses de trabalho e realizamos experimentos cênicos que possam dar forma aos conteúdos estudados. A cena é produto deste processo permanente de experimentação, por isso nós procuramos dar este nome. Todos os artistas trabalhadores que compõem o Coletivo participam. Então, ao invés do olhar do especialista, seja o ator, o dramaturgo, o iluminador, nós temos vários pesquisadores, empenhados na criação de uma autoria plural. Nós usamos esse caráter experimental para todos os processos de criação. [Leia mais…]
  • “O DIREITO AO TEATRO” por Sérgio de Carvalho

    O texto a seguir foi escrito por Sérgio de Carvalho, diretor e dramaturgo da Companhia do Latão. Publicado originalmente na revista Observatório Itaú Cultural : OIC. – n. 13 (set. 2012). – São Paulo : Itaú Cultural, 2012, p. 85-92. ISSN 1981-125X. Versão eletrônica: http://d3nv1jy4u7zmsc.cloudfront.net/wp-content/uploads/2013/01/Revista-Observatório-IC-n.13.pdf

    Não há muita dúvida de que o teatro é o setor da vida cultural brasileira em que o engajamento na questão das “políticas culturais do Estado” se encontra mais avançado. Setores dos produtores independentes têm acompanhado de perto e tentado influenciar, através de cafezinhos, seminários e páginas nos jornais, a recente discussão sobre o Procultura, uma reforma da Lei Rouanet que pretende fortalecer as verbas diretas do Fundo de Cultura e controlar na medida do possível os diretores de marketing que hoje decidem sobre o patrocínio das artes com recursos de renúncia fiscal. Integrantes do movimento de teatro de grupo, por sua vez, tentam trazer à pauta o Prêmio de Teatro Brasileiro, uma tentativa de viabilizar montagens e processos de pesquisa com recursos geridos diretamente pelo governo. Diante de tal movimentação, alguém poderia imaginar que existe no setor alguma organização e acúmulo teórico, o que não é uma mentira plena quando comparamos o teatro com as outras artes. Entretanto, o avanço relativo não esconde que o quadro atual da reflexão é de uma completa indigência crítica quando se trata de uma verdadeira “política cultural”.  [Leia mais…]
  • “OS CAMINHOS DO TEATRO POLÍTICO NA CENA CONTEMPORÂNEA” por Márcio Marciano

     

    É possível afirmar que existe hoje um Teatro Político? E se existe, o que o diferencia de um Teatro que deliberadamente se posiciona contra toda forma de discurso político? Não será essa posição também ela uma forma política? O que torna político o ato teatral? A forma “Teatro Político” não será uma tautologia? Estas questões não pedem respostas, apenas apontam o lugar da experiência na cena contemporânea.

    É sempre espinhoso falar de Teatro Político porque o espaço onde se estabelece a discussão sobre este tema é um campo minado de certezas apaixonadas. Para quem acredita que o Teatro pode ter ainda alguma relevância enquanto meio de transformação social, a fórmula “teatro político” é uma redundância, já que toda ação que se propõe como emancipadora das potencialidades humanas – e o Teatro pode e deve ter essa pretensão –, é uma ação política. Para aqueles, entretanto, que veem o Teatro enquanto livre expressão dessas mesmas potencialidades humanas, sem compromisso direto com uma agenda de transformações sociais, a Arte já é em si mesma uma manifestação política. Em suma, para usar um clichê recorrente na atualidade, podemos afirmar que “todo teatro é político”.
    Sendo assim, embora pareça evidente o antagonismo dessas posições sobre o que pode ser a função e a vocação do Teatro, para ambas, a política é imanante ao fazer teatral. Esse aparente consenso não resolve a questão, ao contrário, é justamente por servir de argumento a ambos os lados que a política se torna um tema complexo quando se trata de aferir sua influência no âmbito das artes cênicas, como de resto da arte em geral. [Leia mais…]
  • FIGURAÇÕES DO FETICHISMO

    Conversa com Iná Camargo Costa sobre O DEUS DA FORTUNA, do Coletivo de Teatro Alfenim (Teatro de Arena Eugênio Kusnet, São Paulo, julho de 2012)* 

     
     Iná Camargo – A conversa deve ser rápida. O assunto é O Deus da Fortuna. Como vocês viram, eu adorei. Assisti duas vezes. Da primeira, reclamei porque a cena dos bonecos é uma coisa tão maravilhosa que nem prestei atenção no texto, só na segunda vez consegui . Reclamei também da cena final que sobrepõe o coro ao texto. Também na segunda vez não deu pra ouvir direito . Não sei se avisaram a vocês, mas não conseguimos ouvir vários sons ao mesmo tempo, quando se trata de sons articulados em palavras. Você não consegue decifrar palavras diferentes ditas ao mesmo tempo. Leia lá, Mário de Andrade – A escrava que não é Isaura – ele explica isso didaticamente, porque a palavra articulada precisa ser ordenada, combinada de modo que se possa ouvir uma de cada vez. Então, dois discursos ao mesmo tempo fica impossível. E no caso ali não eram nem dois porque tinha também o discurso visual do 11 de Setembro e companhia. [Leia mais…]
  • ENTREVISTA COM MÁRCIO MARCIANO À FOLHA DE S.PAULO

    O diretor e dramaturgo, Márcio Marciano, concedeu entrevista à jornalista Gabriela Mellão, da Folha de S.Paulo, para a elaboração de matéria sobre grupos de teatro do Norte e Nordeste que estão em temporada em São Paulo. Leia abaixo, as questões formuladas para a edição da reportagem publicada na Folha Ilustrada, no dia 12 de julho.

    Gabriela Mellão- Qual a importância de se apresentar (e se destacar) em SP para vocês, um grupo de fora do eixo? E as dificuldades?
    Márcio Marciano- As dificuldades são imensas, mas não incontornáveis. Somos uma equipe de 14 pessoas, é difícil viajar com um grupo desse porte por razões óbvias, é muito caro, dependemos de editais de circulação ou de ocupação de equipamentos culturais públicos, como é o caso do Arena. Em 2010, estivemos em São Paulo, ocupando a Sala Renée Gumiel, também da Funarte. Para o Coletivo de Teatro Alfenim, essas temporadas são fundamentais, é uma oportunidade de apresentar os resultados de nossa pesquisa. Em cinco anos de existência, o grupo já criou cinco espetáculos com dramaturgia própria. Nesta temporada de ocupação do Arena, como grupo convidado da Companhia do Latão, vamos apresentar parte do nosso repertório, além de manter as atividades habituais de ensaio. Como fazemos um teatro marcadamente na contramão, estamos duplamente à margem do mercado cultural do eixo, tanto pela distância geográfica quanto pelo posicionamento político. Neste sentido, estar no Arena é importantíssimo por tudo o que esse espaço representa.  [Leia mais…]
                 
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