• Formulário de contato – Memórias de um cão

    O Coletivo de Teatro Alfenim gostaria de manter contato com você. Deixe seu e.mail e comentários sobre o espetáculo “Memórias de um cão”. Agradecemos a atenção!

  • Apontamentos sobre teatro de grupo*, por Márcio Marciano

    Diante da necessária pergunta: “O que é fazer teatro de grupo?” arrisco algumas hipóteses retiradas de minha modesta e renitente determinação de praticar erros no varejo em busca de pequenos acertos no atacado.
    Sendo assim, tento responder à indagação dizendo:
    Fazer teatro de grupo é:

    Assumir o compromisso perante os demais companheiros de trabalho de que o fazer teatral deve consistir no exercício diário da construção de uma utopia.
    É fazer valer o desejo, a potencialidade e a liberdade individual em prol de uma ação coletivizante.
    É entender que o DNA de qualquer que seja o grupo está impresso nas circunstâncias históricas de sua formação, ainda quando essa formação esteja em permanente processo de ajuste e modificação.
    É entender que o DNA de qualquer que seja o grupo não se reduz a declarações de intenção estética.

    Fazer teatro de grupo é:
    Inventar um espaço de exceção permanente.
    É não esquecer que a suposta crise das ideologias é a afirmação categórica de uma ideologia dominante.
    É reconhecer que os grupos de teatro surgem como espaço de resistência contra todas as formas de totalitarismo: o totalitarismo dos bons sentimentos, o totalitarismo dos valores eternos, o totalitarismo da subjetividade burguesa, e o mais perverso de todos os totalitarismos, o totalitarismo da mercadoria.

    [Leia mais…]

  • Memórias de um Cão estreia no dia 08 de maio

    Memorias de um cao - coro de quincas

    O novo espetáculo do Coletivo de Teatro Alfenim, Memórias de um Cão, parte do estudo da obra de Machado de Assis para propor uma abordagem crítica das estratégias de dissimulação, engodo e auto-engano que marcam no campo subjetivo e político as relações sociais do Brasil contemporâneo.

    O processo de pesquisa para a construção do espetáculo teve início em maio de 2014, com a realização do Seminário, A atualidade de Machado de Assis, que recebeu críticos e estudiosos da obra machadiana. Ao longo de 2014, o Coletivo dividiu seu tempo entre os ensaios para o novo espetáculo e a circulação de O Deus da Fortuna, pelo SESC – Palco Giratório.

    A estreia acontece na sede do Coletivo, a Casa Amarela, situada no Varadouro (veja mapa ao lado). O espaço foi especialmente reformado para abrigar o espetáculo, que fica em temporada de 08 de maio a 21 de junho de 2015.  Memórias de um Cão é parte do projeto Figurações Brasileiras, que tem patrocínio da Petrobras

    Fotor_143079599664260

  • Lâminas de Corte: sobre três estratégias para o encontro com o “humano” – Texto de Roberto Efrem Filho

    O DEUS DA FORTUNA 5

    Na edição de abril/2015 da revista do Instituto de Estudos Brasileiros – IEB, o professor e pesquisador Roberto Efrem Filho* faz uma análise do espetáculo O Deus da Fortuna, do Coletivo de Teatro Alfenim, explicitando as relações de classe, gênero e sexualidade presentes na peça e a maneira como as representações das relações sociais intervêm como estratégias do encontro com o “humano”.  Abaixo, segue o texto. O Coletivo Alfenim aproveita para anunciar a estreia do espetáculo inédito “Memórias de um cão”, em maio de 2015 na sede do Coletivo, Casa Amarela, no centro de João Pessoa. Em breve, mais informações!

    Lâminas de Corte: sobre três estratégias para o encontro com o “humano” – Roberto Efrem Filho

    Talvez as mais importantes contribuições intelectuais à compreensão da realidade em que um tempo se refaz (e que por ele é refeita) sejam aquelas tão maleáveis quanto afiadas. São interpretações do mundo capazes de penetrar as mais ermas searas, os mais intricados espaços, contorcendo-se, se necessário, reinventando-se. Walter Benjamin foi autor de contribuições assim. Enquanto os intelectuais de seu tempo definhavam desesperançosos diante do terror da sociedade capitalista que eles desvendavam – e que, de fato, era bastante assustadora, com seus nazismos, esteiras produtivas e surras no Pato Donald – Benjamin transitava com lâminas nesses terrenos cruéis. Lá, entre todas as tiranias, com gestos de coragem e ousadia, ele alcançava o espaço-tempo em que os oprimidos, apesar de tudo o que os nega e por isso mesmo, afirmam-se e nos permitem alguma esperança.

    (…)

    Leia o texto na íntegra no site da revista IEL: http://bit.ly/1Hty5yO

    ROBERTO EFREM FILHO: Professor do Departamento de Ciências Jurídicas da Universidade Federal da Paraíba e doutorando em Ciências Sociais junto ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas. E-mail: robertoefremfilho@gmail.com

  • COLETIVO ALFENIM ABRE INSCRIÇÕES PARA OFICINA DE FÉRIAS

     

    Ensor caveiras

    Com patrocínio da Petrobras, o Coletivo de Teatro Alfenim prossegue com as atividades formativas do Projeto Figurações Brasileiras. A partir de 15 de janeiro de 2015, estarão abertas inscrições para a oficina de férias Exercícios para uma cena dialética. A oficina acontece de 26 a 30 de janeiro de 2015, na sede do Coletivo, a Casa Amarela, no centro de João Pessoa. É direcionada a atores e estudantes de teatro interessados em acompanhar o processo de finalização da dramaturgia do espetáculo Memórias de um Cão.

    O objetivo do trabalho é apresentar e desenvolver procedimentos de composição dramatúrgica a partir do universo literário de Machado de Assis, tendo-se como eixo a narrativa épico-dialética.  Através de exercícios dramatúrgicos elaborados com base no estudo da obra machadiana, a oficina oferece um espaço de experimentação e vivência do processo colaborativo que pauta o trabalho de escrita cênica do Alfenim. Os experimentos realizados durante a vivência visam a subsidiar o roteiro final da dramaturgia do novo espetáculo. A oficina acontece de segunda a sexta-feira, das 08:30 às 17:00, de forma a intensificar a vivência do processo colaborativo entre integrantes do Coletivo Alfenim e os oficinandos selecionados.

    Os interessados devem preencher o formulário abaixo até o dia 23 de janeiro de 2015.

    SERVIÇO:

    Data: De 26 a 30 de janeiro de 2015.
    Horário:  08:30 às 17:00 (com intervalo para refeição na sede).
    Local: Casa Amarela. Rua Amaro Coutinho, 163, Centro.
    Inscrições: 15 de janeiro a 23 de janeiro de 2015
    Resultado: 24 de janeiro de 2015.
    Número de vagas: 20

  • COLETIVO ALFENIM PREPARA OFICINA DE FÉRIAS PARA INÍCIO DE 2015

    5_6_ensor_mauvais_medecins_web_large@2x

    Em 2014, o Coletivo Alfenim concentrou esforços na realização simultânea de dois grandes projetos: Figurações Brasileiras, que tem o patrocínio da Petrobras; e a circulação do espetáculo O Deus da Fortuna, pelo SESC – Palco Giratório.  As atividades de pesquisa e capacitação para a montagem do espetáculo inédito Memórias de um Cão – previstas na segunda etapa do projeto Figurações Brasileiras – ocuparam os períodos em que o Coletivo permaneceu em João Pessoa.

    Em sua sede, a Casa Amarela, o Coletivo dedicou-se ao estudo e experimentação de fragmentos do universo machadiano. Além dos ensaios, realizou três oficinas internas de capacitação: “Oficina de composição musical”, ministrada pelos músicos Walter Garcia e Marília Calderón, “Movimento e Percussão Afro”, ministrada por Luiz Filho e a oficina “Biomecânica: A escuta do ator, o jogo e a cena”, ministrada por Robson Haderchpek. Em abril, com apoio da Universidade Federal da Paraíba, o Coletivo organizou o Seminário A Atualidade de Machado de Assis, com a participação de estudiosos e críticos da obra machadiana, como Sérgio de Carvalho, José Antônio Pasta Jr, entre outros. O conteúdo das palestras e debates sobre o pensamento de Machado vem servindo de matéria para a criação da dramaturgia do novo espetáculo, cuja maior referência são os romances Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas. [Leia mais…]

  • Coletivo Alfenim prospecta Machado, por Rafael Duarte

    Crédito: Pablo Pinheiro

    O que nos resta do experimento apresentado pelo Coletivo de Teatro Alfenim (PB) sobre fragmentos da obra de Machado de Assis é dizer que o romance Quincas Borba é mais atual do que a própria realidade. Apresentado durante o festival O Mundo Inteiro É um Palco, em Natal, o Ensaio sobre o humanitismo revela um Machado irônico, contestador e, sobretudo, sarcástico. Estivesse hoje entre nós, provavelmente o patrono da Academia Brasileira de Letras estaria escrevendo sobre as mesmas contradições de um país hipócrita e bonito por natureza.

    A criação traz a história de Rubião, discípulo ingênuo de Quincas Borba, um burguês escravocrata e filósofo de botequim que dá o próprio nome ao cachorro de estimação inebriado pelo Humanitismo, uma espécie de nova filosofia criada por ele. Com a morte do mestre, Rubião recebe toda a herança, mas é obrigado a zelar pelo Quincas de quatro patas.De tanto usufruir da alta sociedade carioca, o sujeito enlouquece. O texto discute a diferença de classes, o amor, a hipocrisia e a psicanálise.  O grupo joga em cena Quincas Borba, mas toca em outros romances de Assis. Há umas pitadas de O alienista e de Memórias póstumas de Brás Cubas. [Leia mais…]

  • Tempo de incômodo, por George Holanda.

    mascaras

    Ensaio sobre o humanitismo é um experimento do Coletivo de Teatro Alfenim, da Paraíba. Esse trabalho integrará o espetáculo Memórias de um cão, que estreará ano que vem e é fruto de uma pesquisa do grupo acerca da obra Quincas Borba, de Machado de Assis. Apresentar um experimento em outra cidade (Natal) que não a sua, ainda mais em um festival, pode ser considerado um ato de coragem e desprendimento com o próprio trabalho. O Alfenim possui uma história de grande proximidade com um teatro brechtiano, tendo o diretor e dramaturgo Márcio Marciano como catalisador desse movimento. E, ao longo dos seus oito anos de existência, o grupo vem se mantendo coerente nesta linha de pesquisa. Dessa vez, o grupo se aventura pela obra de Machado de Assis, realizando um diálogo entre ele e Brecht.

    O grupo mantém firme seu posicionamento crítico diante de um sistema de produção capitalista e seus reflexos sociais, e encontra em Machado de Assis um cúmplice de ideias, ainda que este trabalhe, de certa forma, num ambiente mais íntimo e psicológico. Dessa vez, o coletivo encontra uma possibilidade de variação do seu discurso, ainda que mantenha os mesmo parâmetros, ao contar a história de Rubião, homem simples que fica rico graças à herança de um benfeitor, Quincas Borba, dado a filósofo e criador do “humanitismo”, e que possui um cão (personagem importante na construção das metáforas dramatúrgicas). Rico, Rubião passa a conviver nas altas rodas da sociedade e a ser vítima da ambição e inveja delas, chegando ao ponto de começar a enlouquecer. [Leia mais…]

  • A sensação de ser esquecido, por Erickaline Lima.

    BREVIDADES - I

    Que tal conversarmos um pouco? Sente-se, fique à vontade.

    Tão íntimo como entrar na casa de alguém, sentar em uma mesa e ali confidenciar fatos de sua vida. O monólogo Brevidades, do Coletivo de Teatro Alfenim, abre as portas para receber o público numa acolhida maternal. A senhora sentada em uma das mesas a tomar seu chá com biscoitos de nata, não aparenta tranquilidade, talvez certa melancolia. A vida deu os anos que carrega sobre si e muitas histórias para contar.

    O público adentra as histórias a ponto de se misturar a elas, a personagem nomeia algumas pessoas, sobrevém Marta. Confunde-as, depois diz não conhecê-las. As lembranças invadem, em seguida somem no silêncio, enquanto o olhar procura em meio ao público algum rosto conhecido e não encontra. [Leia mais…]

  • FESTIVAL O MUNDO INTEIRO É UM PALCO – Algumas impressões, por Márcio Marciano

    omundoehumpalco

    A segunda edição do Festival O mundo inteiro é um palco, realizada em novembro de 2014, na cidade de Natal, pelo grupo Clowns de Shakespeare, reafirma e aprofunda uma virtude já entrevista na brancaleônica edição de 2013, idealizada e bancada às próprias custas por seus realizadores. Uma virtude rara ou ausente de alguns dos principais Festivais e Mostras de Teatro do país, marcados pelo burocratismo marqueteiro e pelo fetichismo da relação custo/benefício que, se por um lado, não é garantia de casa cheia, por outro, transforma a programação em mero evento midiático, desprovido de pensamento crítico e inchado de suspeitosas novidades.

    Com seu Festival “caseiro”, mas altamente profissionalizado no que se refere à organização e ao perfil múltiplo e experimental da programação, os Clowns conseguem a proeza de reencontrar o elo perdido com os saudosos festivais e mostras de teatro amador ou universitário das décadas de 1970/90, nos quais grupos, artistas e público compartilhavam intensamente não apenas a experiência artística e os diversos fazeres teatrais, mas, sobretudo, um espaço comum e democrático de debate e reflexão. [Leia mais…]

                 
%d blogueiros gostam disto: