• Machado de Assis vai ao Teatro, por Expedito Ferraz Jr.

    _MG_4064

    MACHADO DE ASSIS VAI AO TEATRO
    MEMÓRIAS DE UM CÃO, DO COLETIVO ALFENIM, LEVA AO PALCO O HUMANITISMO DE QUINCAS BORBA

    Expedito Ferraz Jr.*
    expeditoferrazjr@gmail.com

    Teatro e narrativa miram-se todo o tempo na obra de Machado de Assis. Se a dramaturgia, propriamente dita, nunca alcançou, em sua produção, a genialidade dos melhores contos e romances, não é raro encontrarmos nesses últimos alusões a clássicos do gênero dramático com os quais dialogam seus enredos e nos quais se espelham, por vezes, o comportamento de suas personagens. Assim vemos Otelo citado em Dom Casmurro; Hamlet, em “A cartomante”; Macbeth, em Memórias Póstumas de Brás Cubas (para ficarmos apenas com essas três referências, shakespearianas, dos exemplos que me ocorrem). Na trama de intertextos que dá forma ao estilo machadiano, obras-primas desse gênero são referidas e revisitadas com frequência, muitas vezes em tom de paródia. E não menos frequentes são as passagens de suas histórias em que o teatro se materializa como espaço físico representado no cenário urbano, investindo-se de um significado social marcante no modo de vida oitocentista e cortesão ali retratado.

    Uma vez provocada por essas referências, não estranha que a imaginação do leitor se anime a projetar o movimento inverso: o de transpor elementos do romance machadiano para o contexto da linguagem dramática. É essa a aventura em que se (e nos) lança o Coletivo de Teatro Alfenim, de João Pessoa, em Memórias de um Cão, que estreou em maio deste ano de 2015. O espetáculo integra um projeto chamado “Figurações brasileiras” e nasce de um interessante trabalho de pesquisa iniciado em 2014, com um seminário intitulado “A atualidade de Machado de Assis”. Pois é justamente disso que se trata: de atualidade, porque esta é a impressão que nos causa a experiência de revisitar o pensamento de Machado hoje e de refletir, com ele, sobre as contradições que definem nossa formação social, uma mirada sempre reveladora e inquietante. Tanto mais se essa releitura nos permite observar ainda outra forma de atualização: a da transposição de mídias – vale dizer: a tradução, neste caso para a linguagem cênica, do mais agudo tradutor de nossas mazelas sociais. É sobre esse processo de transposição e seus efeitos que vamos nos deter brevemente nos parágrafos que seguem.

    Para ler o texto na íntegra, acesse: MACHADO-DE-ASSIS-VAI-AO-TEATRO

    * Expedito Ferraz Jr é professor adjunto da Universidade Federal da Paraíba. Tem experiência na área de Letras , com ênfase em Literatura Brasileira. Atuando principalmente nos seguintes temas: Literatura Brasileira, Poesia, Semiótica.

  • COLETIVO ALFENIM E BANDA BALUARTE PREPARAM LANÇAMENTO DO CD “CANÇÕES DE CENA”.

    crianças dançando

    De volta a João Pessoa, depois de participar do Festival Brasileiro de Teatro – Cena Paraibana, nas cidades de Fortaleza e Maceió, e de cumprir temporada nas cidades de Aracaju, Salvador e também Maceió com o espetáculo “Memórias de um cão”, pelo projeto “Figurações Brasileiras”, que tem o patrocínio da Petrobras, o Coletivo Alfenim retoma os ensaios para a gravação de seu primeiro CD, “Canções de Cena”, em parceria com a Banda Baluarte.

    O projeto tem patrocínio do FMC – Fundo Municipal de Cultura de João Pessoa e prevê o registro das canções dos espetáculos “Quebra-Quilos”, “Milagre Brasileiro” e “O Deus da Fortuna”, bem como da intervenção de rua “Histórias de Sem Réis”.

    A parceria com a Banda Baluarte visa integrar num mesmo projeto cênico-musical a experiência de trabalho colaborativo dos dois coletivos paraibanos, interessados na pesquisa e assimilação crítica das matrizes melódicas e cancionais brasileiras, de forma a arriscar novas e produtivas leituras da realidade social brasileira a partir de uma das mais ricas tradições musicais do continente americano. [Leia mais…]

  • “Memórias de um cão” em circulação pelo projeto Figurações Brasileiras

    sergipe

    O Coletivo de Teatro Alfenim inicia a última etapa do projeto Figurações Brasileiras, patrocinado pela Petrobras, com a circulação do espetáculo inédito “Memórias de um cão”. A circulação tem início em Aracaju, na sede do Grupo Imbuaça, com estreia amanhã, dia 22/07, às 20 h. A entrada é gratuita. O Coletivo ainda circula por Salvador, Maceió e Belo Horizonte neste segundo semestre de 2015. Paralelo às temporadas, o Alfenim realiza a oficina “Exercícios para uma cena dialética” voltada para atores, diretores, dramaturgos e estudantes de teatro.  Em Aracaju, a oficina acontece nos dias 27 e 28 de julho na sede do Grupo Imbuaça. Em Salvador, as inscrições já estão abertas. Para participar da oficina, os interessados deverão enviar um email para “alfenim.salvador@gmail.com”, enviando carta de intenções, breve currículo artístico, dados para contato, nome completo e artístico.  As vagas são limitadas e a oficina é gratuita. Os encontros serão realizados nos dias 10 e 11 de agosto, das 19h às 22h, no Espaço Xisto Bahia – Complexo Cultural dos Barris. Não percam!

    Para mais informações sobre as inscrições da oficina em Salvador: http://bit.ly/1gMWl5s / http://glo.bo/1f3ysVX

    SERVIÇO
    “Memórias de um cão” em Aracaju
    Temporada: 22 a 26 de julho e 29 de julho a 02 de agosto de 2015
    Horários: Qua a Sáb às 20 h e Dom às 17 h
    Local: Sede do Imbuaça – Rua Muribeca, nº4, Santo Antônio.
    Entrada gratuita. Ingressos limitados.

     

  • Formulário de contato – Memórias de um cão

    O Coletivo de Teatro Alfenim gostaria de manter contato com você. Deixe seu e.mail e comentários sobre o espetáculo “Memórias de um cão”. Agradecemos a atenção!

  • Apontamentos sobre teatro de grupo*, por Márcio Marciano

    Diante da necessária pergunta: “O que é fazer teatro de grupo?” arrisco algumas hipóteses retiradas de minha modesta e renitente determinação de praticar erros no varejo em busca de pequenos acertos no atacado.
    Sendo assim, tento responder à indagação dizendo:
    Fazer teatro de grupo é:

    Assumir o compromisso perante os demais companheiros de trabalho de que o fazer teatral deve consistir no exercício diário da construção de uma utopia.
    É fazer valer o desejo, a potencialidade e a liberdade individual em prol de uma ação coletivizante.
    É entender que o DNA de qualquer que seja o grupo está impresso nas circunstâncias históricas de sua formação, ainda quando essa formação esteja em permanente processo de ajuste e modificação.
    É entender que o DNA de qualquer que seja o grupo não se reduz a declarações de intenção estética.

    Fazer teatro de grupo é:
    Inventar um espaço de exceção permanente.
    É não esquecer que a suposta crise das ideologias é a afirmação categórica de uma ideologia dominante.
    É reconhecer que os grupos de teatro surgem como espaço de resistência contra todas as formas de totalitarismo: o totalitarismo dos bons sentimentos, o totalitarismo dos valores eternos, o totalitarismo da subjetividade burguesa, e o mais perverso de todos os totalitarismos, o totalitarismo da mercadoria.

    [Leia mais…]

  • Memórias de um Cão estreia no dia 08 de maio

    Memorias de um cao - coro de quincas

    O novo espetáculo do Coletivo de Teatro Alfenim, Memórias de um Cão, parte do estudo da obra de Machado de Assis para propor uma abordagem crítica das estratégias de dissimulação, engodo e auto-engano que marcam no campo subjetivo e político as relações sociais do Brasil contemporâneo.

    O processo de pesquisa para a construção do espetáculo teve início em maio de 2014, com a realização do Seminário, A atualidade de Machado de Assis, que recebeu críticos e estudiosos da obra machadiana. Ao longo de 2014, o Coletivo dividiu seu tempo entre os ensaios para o novo espetáculo e a circulação de O Deus da Fortuna, pelo SESC – Palco Giratório.

    A estreia acontece na sede do Coletivo, a Casa Amarela, situada no Varadouro (veja mapa ao lado). O espaço foi especialmente reformado para abrigar o espetáculo, que fica em temporada de 08 de maio a 21 de junho de 2015.  Memórias de um Cão é parte do projeto Figurações Brasileiras, que tem patrocínio da Petrobras

    Fotor_143079599664260

  • Lâminas de Corte: sobre três estratégias para o encontro com o “humano” – Texto de Roberto Efrem Filho

    O DEUS DA FORTUNA 5

    Na edição de abril/2015 da revista do Instituto de Estudos Brasileiros – IEB, o professor e pesquisador Roberto Efrem Filho* faz uma análise do espetáculo O Deus da Fortuna, do Coletivo de Teatro Alfenim, explicitando as relações de classe, gênero e sexualidade presentes na peça e a maneira como as representações das relações sociais intervêm como estratégias do encontro com o “humano”.  Abaixo, segue o texto. O Coletivo Alfenim aproveita para anunciar a estreia do espetáculo inédito “Memórias de um cão”, em maio de 2015 na sede do Coletivo, Casa Amarela, no centro de João Pessoa. Em breve, mais informações!

    Lâminas de Corte: sobre três estratégias para o encontro com o “humano” – Roberto Efrem Filho

    Talvez as mais importantes contribuições intelectuais à compreensão da realidade em que um tempo se refaz (e que por ele é refeita) sejam aquelas tão maleáveis quanto afiadas. São interpretações do mundo capazes de penetrar as mais ermas searas, os mais intricados espaços, contorcendo-se, se necessário, reinventando-se. Walter Benjamin foi autor de contribuições assim. Enquanto os intelectuais de seu tempo definhavam desesperançosos diante do terror da sociedade capitalista que eles desvendavam – e que, de fato, era bastante assustadora, com seus nazismos, esteiras produtivas e surras no Pato Donald – Benjamin transitava com lâminas nesses terrenos cruéis. Lá, entre todas as tiranias, com gestos de coragem e ousadia, ele alcançava o espaço-tempo em que os oprimidos, apesar de tudo o que os nega e por isso mesmo, afirmam-se e nos permitem alguma esperança.

    (…)

    Leia o texto na íntegra no site da revista IEL: http://bit.ly/1Hty5yO

    ROBERTO EFREM FILHO: Professor do Departamento de Ciências Jurídicas da Universidade Federal da Paraíba e doutorando em Ciências Sociais junto ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas. E-mail: robertoefremfilho@gmail.com

  • COLETIVO ALFENIM ABRE INSCRIÇÕES PARA OFICINA DE FÉRIAS

     

    Ensor caveiras

    Com patrocínio da Petrobras, o Coletivo de Teatro Alfenim prossegue com as atividades formativas do Projeto Figurações Brasileiras. A partir de 15 de janeiro de 2015, estarão abertas inscrições para a oficina de férias Exercícios para uma cena dialética. A oficina acontece de 26 a 30 de janeiro de 2015, na sede do Coletivo, a Casa Amarela, no centro de João Pessoa. É direcionada a atores e estudantes de teatro interessados em acompanhar o processo de finalização da dramaturgia do espetáculo Memórias de um Cão.

    O objetivo do trabalho é apresentar e desenvolver procedimentos de composição dramatúrgica a partir do universo literário de Machado de Assis, tendo-se como eixo a narrativa épico-dialética.  Através de exercícios dramatúrgicos elaborados com base no estudo da obra machadiana, a oficina oferece um espaço de experimentação e vivência do processo colaborativo que pauta o trabalho de escrita cênica do Alfenim. Os experimentos realizados durante a vivência visam a subsidiar o roteiro final da dramaturgia do novo espetáculo. A oficina acontece de segunda a sexta-feira, das 08:30 às 17:00, de forma a intensificar a vivência do processo colaborativo entre integrantes do Coletivo Alfenim e os oficinandos selecionados.

    Os interessados devem preencher o formulário abaixo até o dia 23 de janeiro de 2015.

    SERVIÇO:

    Data: De 26 a 30 de janeiro de 2015.
    Horário:  08:30 às 17:00 (com intervalo para refeição na sede).
    Local: Casa Amarela. Rua Amaro Coutinho, 163, Centro.
    Inscrições: 15 de janeiro a 23 de janeiro de 2015
    Resultado: 24 de janeiro de 2015.
    Número de vagas: 20

  • COLETIVO ALFENIM PREPARA OFICINA DE FÉRIAS PARA INÍCIO DE 2015

    5_6_ensor_mauvais_medecins_web_large@2x

    Em 2014, o Coletivo Alfenim concentrou esforços na realização simultânea de dois grandes projetos: Figurações Brasileiras, que tem o patrocínio da Petrobras; e a circulação do espetáculo O Deus da Fortuna, pelo SESC – Palco Giratório.  As atividades de pesquisa e capacitação para a montagem do espetáculo inédito Memórias de um Cão – previstas na segunda etapa do projeto Figurações Brasileiras – ocuparam os períodos em que o Coletivo permaneceu em João Pessoa.

    Em sua sede, a Casa Amarela, o Coletivo dedicou-se ao estudo e experimentação de fragmentos do universo machadiano. Além dos ensaios, realizou três oficinas internas de capacitação: “Oficina de composição musical”, ministrada pelos músicos Walter Garcia e Marília Calderón, “Movimento e Percussão Afro”, ministrada por Luiz Filho e a oficina “Biomecânica: A escuta do ator, o jogo e a cena”, ministrada por Robson Haderchpek. Em abril, com apoio da Universidade Federal da Paraíba, o Coletivo organizou o Seminário A Atualidade de Machado de Assis, com a participação de estudiosos e críticos da obra machadiana, como Sérgio de Carvalho, José Antônio Pasta Jr, entre outros. O conteúdo das palestras e debates sobre o pensamento de Machado vem servindo de matéria para a criação da dramaturgia do novo espetáculo, cuja maior referência são os romances Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas. [Leia mais…]

  • Coletivo Alfenim prospecta Machado, por Rafael Duarte

    Crédito: Pablo Pinheiro

    O que nos resta do experimento apresentado pelo Coletivo de Teatro Alfenim (PB) sobre fragmentos da obra de Machado de Assis é dizer que o romance Quincas Borba é mais atual do que a própria realidade. Apresentado durante o festival O Mundo Inteiro É um Palco, em Natal, o Ensaio sobre o humanitismo revela um Machado irônico, contestador e, sobretudo, sarcástico. Estivesse hoje entre nós, provavelmente o patrono da Academia Brasileira de Letras estaria escrevendo sobre as mesmas contradições de um país hipócrita e bonito por natureza.

    A criação traz a história de Rubião, discípulo ingênuo de Quincas Borba, um burguês escravocrata e filósofo de botequim que dá o próprio nome ao cachorro de estimação inebriado pelo Humanitismo, uma espécie de nova filosofia criada por ele. Com a morte do mestre, Rubião recebe toda a herança, mas é obrigado a zelar pelo Quincas de quatro patas.De tanto usufruir da alta sociedade carioca, o sujeito enlouquece. O texto discute a diferença de classes, o amor, a hipocrisia e a psicanálise.  O grupo joga em cena Quincas Borba, mas toca em outros romances de Assis. Há umas pitadas de O alienista e de Memórias póstumas de Brás Cubas. [Leia mais…]

                 
%d blogueiros gostam disto: