• SEMINÁRIO : UMA ANATOMIA DA PERVERSÃO – O ELEMENTO ASSOCIAL NA OBRA DE BERTOLT BRECHT

    Petrobras e Coletivo Alfenim apresentam:

    Seminário: Uma anatomia da perversão

    O elemento associal na obra de Bertolt Brecht

    Com patrocínio da Petrobras, o Coletivo de Teatro Alfenim realiza o seminário Uma anatomia da perversão – o elemento associal na obra de Bertolt Brecht nos dias 17, 18 e 19 de fevereiro em sua sede, a Casa Amarela. O estudo centra-se na peça inacabada Decadência do egoísta Johann Fatzer e marca o início da terceira e última fase do projeto Figurações Brasileiras.

    Nesta etapa do projeto, o Coletivo Alfenim dedica-se ao estudo da obra de Bertolt Brecht, visando à montagem de novo espetáculo, cujo nome provisório é Desertores.

    José Antonio Pasta, um dos mais influentes críticos literários do país, autor do livro Trabalho de Brecht – Breve Introdução ao Estudo de uma Classicidade Contemporânea faz a abertura do seminário com a conferência Forma-mercadoria, Fascismo e Exílio: três faces da perversão na obra de Bertolt Brecht.

    Após essa introdução crítica à obra do dramaturgo alemão, o Coletivo Alfenim recebe José Fernando de Azevedo, diretor do grupo Teatro de Narradores de São Paulo, e Fran Teixeira, diretora do Teatro Máquina, de Fortaleza, para a mesa Estratégias de abordagem do Material Fatzer – relato de duas experiências. [Leia mais…]

  • O TEATRO DIALÉTICO DO COLETIVO DE TEATRO ALFENIM: HISTÓRIA E NARRAÇÃO EM MILAGRE BRASILEIRO, por Alexandre Flory e Karyna Buhler.

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    O presente trabalho pretende discutir alguns procedimentos artísticos desenvolvidos pelo Coletivo de Teatro Alfenim, na Paraíba, na peça Milagre Brasileiro, com estreia em 2010. Para isso, faremos considerações sobre como a peça mencionada formaliza um momento conturbado da história nacional, a partir de uma concepção materialista de história. No início o século 21, estamos em um momento de intensa discussão no Brasil a respeito da lei e Anistia de 1979, ainda não abordada tanto histórica quanto esteticamente de modo contundente – um símbolo disso é a negação do pedido de sua revisão feito recentemente, em 2010, pelo STF. Uma rápida comparação nos faz ver com clareza a distância dessa posição reacionários e negacionista em relação aos nossos vizinhos sul-americanos como Chile, Argentina e Uruguai, países nos quais os responsáveis foram devidamente julgados.

    Pode parecer estranho que comecemos um artigo sobre teatro com uma breve apresentação da conjuntura histórica, mas isso é proposital. Isso porque nos interessa discutir um grupo que faz da mediação entre teatro e sociedade o seu ponto de partida e de chegada, para uma revisitação crítica tanto da nossa história quanto das formas teatrais, a partir de uma perspectiva materialista, que procura compreender as práticas sociais e estéticas como discursos com pronunciada carga ideológica, permitindo a exposição dos pressupostos que os sustentam e que podem ser mudados. Grupos como o Alfenim adotam uma perspectiva que se aproxima da concepção benjaminiana da história, colocando-se na posição do materialista histórico interessado em juntar os destroços e dar sentido ao passado a partir das catástrofes contemporâneas, sendo uma delas nossa incapacidade de aceitar e elaborar nosso passado histórico, por conta de um discurso dominante obtuso e violento.

    Esse projeto de arte engajada, que não se furta da discussão sobre a inovação estética para uma arte popular e não se deixa levar por palavras de ordem fáceis e sectárias, pode ser acompanhado no teatro épico brasileiro nos últimos anos com clareza. Basta lembrar de peças como Ópera dos vivos, da Cia. do Latão, Morro como um país, da Kiwi, Viúvas – Performance sobre a ausência, do Ói nóis aqui traveiz, Três movimentos, da Cia Ocamorana, Armadilhas Brasileiras, da Cia do Feijão, além de Milagre Brasileiro, par citar apenas algumas, que procuram entender o Brasil e  os pressupostos de nosso atraso, de nossa modernização conservadora e da “dialética rarefeita entre o não-ser e o ser outro” (Gomes apud Pasta, 2010, p.15 ) que marca nossa formação subjetiva volúvel e sem – cárater, sem deixar de pisar o chão histórico. [Leia mais…]

  • Machado de Assis vai ao Teatro, por Expedito Ferraz Jr.

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    MACHADO DE ASSIS VAI AO TEATRO
    MEMÓRIAS DE UM CÃO, DO COLETIVO ALFENIM, LEVA AO PALCO O HUMANITISMO DE QUINCAS BORBA

    Expedito Ferraz Jr.*
    expeditoferrazjr@gmail.com

    Teatro e narrativa miram-se todo o tempo na obra de Machado de Assis. Se a dramaturgia, propriamente dita, nunca alcançou, em sua produção, a genialidade dos melhores contos e romances, não é raro encontrarmos nesses últimos alusões a clássicos do gênero dramático com os quais dialogam seus enredos e nos quais se espelham, por vezes, o comportamento de suas personagens. Assim vemos Otelo citado em Dom Casmurro; Hamlet, em “A cartomante”; Macbeth, em Memórias Póstumas de Brás Cubas (para ficarmos apenas com essas três referências, shakespearianas, dos exemplos que me ocorrem). Na trama de intertextos que dá forma ao estilo machadiano, obras-primas desse gênero são referidas e revisitadas com frequência, muitas vezes em tom de paródia. E não menos frequentes são as passagens de suas histórias em que o teatro se materializa como espaço físico representado no cenário urbano, investindo-se de um significado social marcante no modo de vida oitocentista e cortesão ali retratado.

    Uma vez provocada por essas referências, não estranha que a imaginação do leitor se anime a projetar o movimento inverso: o de transpor elementos do romance machadiano para o contexto da linguagem dramática. É essa a aventura em que se (e nos) lança o Coletivo de Teatro Alfenim, de João Pessoa, em Memórias de um Cão, que estreou em maio deste ano de 2015. O espetáculo integra um projeto chamado “Figurações brasileiras” e nasce de um interessante trabalho de pesquisa iniciado em 2014, com um seminário intitulado “A atualidade de Machado de Assis”. Pois é justamente disso que se trata: de atualidade, porque esta é a impressão que nos causa a experiência de revisitar o pensamento de Machado hoje e de refletir, com ele, sobre as contradições que definem nossa formação social, uma mirada sempre reveladora e inquietante. Tanto mais se essa releitura nos permite observar ainda outra forma de atualização: a da transposição de mídias – vale dizer: a tradução, neste caso para a linguagem cênica, do mais agudo tradutor de nossas mazelas sociais. É sobre esse processo de transposição e seus efeitos que vamos nos deter brevemente nos parágrafos que seguem.

    Para ler o texto na íntegra, acesse: MACHADO-DE-ASSIS-VAI-AO-TEATRO

    * Expedito Ferraz Jr é professor adjunto da Universidade Federal da Paraíba. Tem experiência na área de Letras , com ênfase em Literatura Brasileira. Atuando principalmente nos seguintes temas: Literatura Brasileira, Poesia, Semiótica.

  • COLETIVO ALFENIM E BANDA BALUARTE PREPARAM LANÇAMENTO DO CD “CANÇÕES DE CENA”.

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    De volta a João Pessoa, depois de participar do Festival Brasileiro de Teatro – Cena Paraibana, nas cidades de Fortaleza e Maceió, e de cumprir temporada nas cidades de Aracaju, Salvador e também Maceió com o espetáculo “Memórias de um cão”, pelo projeto “Figurações Brasileiras”, que tem o patrocínio da Petrobras, o Coletivo Alfenim retoma os ensaios para a gravação de seu primeiro CD, “Canções de Cena”, em parceria com a Banda Baluarte.

    O projeto tem patrocínio do FMC – Fundo Municipal de Cultura de João Pessoa e prevê o registro das canções dos espetáculos “Quebra-Quilos”, “Milagre Brasileiro” e “O Deus da Fortuna”, bem como da intervenção de rua “Histórias de Sem Réis”.

    A parceria com a Banda Baluarte visa integrar num mesmo projeto cênico-musical a experiência de trabalho colaborativo dos dois coletivos paraibanos, interessados na pesquisa e assimilação crítica das matrizes melódicas e cancionais brasileiras, de forma a arriscar novas e produtivas leituras da realidade social brasileira a partir de uma das mais ricas tradições musicais do continente americano. [Leia mais…]

  • “Memórias de um cão” em circulação pelo projeto Figurações Brasileiras

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    O Coletivo de Teatro Alfenim inicia a última etapa do projeto Figurações Brasileiras, patrocinado pela Petrobras, com a circulação do espetáculo inédito “Memórias de um cão”. A circulação tem início em Aracaju, na sede do Grupo Imbuaça, com estreia amanhã, dia 22/07, às 20 h. A entrada é gratuita. O Coletivo ainda circula por Salvador, Maceió e Belo Horizonte neste segundo semestre de 2015. Paralelo às temporadas, o Alfenim realiza a oficina “Exercícios para uma cena dialética” voltada para atores, diretores, dramaturgos e estudantes de teatro.  Em Aracaju, a oficina acontece nos dias 27 e 28 de julho na sede do Grupo Imbuaça. Em Salvador, as inscrições já estão abertas. Para participar da oficina, os interessados deverão enviar um email para “alfenim.salvador@gmail.com”, enviando carta de intenções, breve currículo artístico, dados para contato, nome completo e artístico.  As vagas são limitadas e a oficina é gratuita. Os encontros serão realizados nos dias 10 e 11 de agosto, das 19h às 22h, no Espaço Xisto Bahia – Complexo Cultural dos Barris. Não percam!

    Para mais informações sobre as inscrições da oficina em Salvador: http://bit.ly/1gMWl5s / http://glo.bo/1f3ysVX

    SERVIÇO
    “Memórias de um cão” em Aracaju
    Temporada: 22 a 26 de julho e 29 de julho a 02 de agosto de 2015
    Horários: Qua a Sáb às 20 h e Dom às 17 h
    Local: Sede do Imbuaça – Rua Muribeca, nº4, Santo Antônio.
    Entrada gratuita. Ingressos limitados.

     

  • Formulário de contato – Memórias de um cão

    O Coletivo de Teatro Alfenim gostaria de manter contato com você. Deixe seu e.mail e comentários sobre o espetáculo “Memórias de um cão”. Agradecemos a atenção!

  • Apontamentos sobre teatro de grupo*, por Márcio Marciano

    Diante da necessária pergunta: “O que é fazer teatro de grupo?” arrisco algumas hipóteses retiradas de minha modesta e renitente determinação de praticar erros no varejo em busca de pequenos acertos no atacado.
    Sendo assim, tento responder à indagação dizendo:
    Fazer teatro de grupo é:

    Assumir o compromisso perante os demais companheiros de trabalho de que o fazer teatral deve consistir no exercício diário da construção de uma utopia.
    É fazer valer o desejo, a potencialidade e a liberdade individual em prol de uma ação coletivizante.
    É entender que o DNA de qualquer que seja o grupo está impresso nas circunstâncias históricas de sua formação, ainda quando essa formação esteja em permanente processo de ajuste e modificação.
    É entender que o DNA de qualquer que seja o grupo não se reduz a declarações de intenção estética.

    Fazer teatro de grupo é:
    Inventar um espaço de exceção permanente.
    É não esquecer que a suposta crise das ideologias é a afirmação categórica de uma ideologia dominante.
    É reconhecer que os grupos de teatro surgem como espaço de resistência contra todas as formas de totalitarismo: o totalitarismo dos bons sentimentos, o totalitarismo dos valores eternos, o totalitarismo da subjetividade burguesa, e o mais perverso de todos os totalitarismos, o totalitarismo da mercadoria.

    [Leia mais…]

  • Memórias de um Cão estreia no dia 08 de maio

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    O novo espetáculo do Coletivo de Teatro Alfenim, Memórias de um Cão, parte do estudo da obra de Machado de Assis para propor uma abordagem crítica das estratégias de dissimulação, engodo e auto-engano que marcam no campo subjetivo e político as relações sociais do Brasil contemporâneo.

    O processo de pesquisa para a construção do espetáculo teve início em maio de 2014, com a realização do Seminário, A atualidade de Machado de Assis, que recebeu críticos e estudiosos da obra machadiana. Ao longo de 2014, o Coletivo dividiu seu tempo entre os ensaios para o novo espetáculo e a circulação de O Deus da Fortuna, pelo SESC – Palco Giratório.

    A estreia acontece na sede do Coletivo, a Casa Amarela, situada no Varadouro (veja mapa ao lado). O espaço foi especialmente reformado para abrigar o espetáculo, que fica em temporada de 08 de maio a 21 de junho de 2015.  Memórias de um Cão é parte do projeto Figurações Brasileiras, que tem patrocínio da Petrobras

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  • Lâminas de Corte: sobre três estratégias para o encontro com o “humano” – Texto de Roberto Efrem Filho

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    Na edição de abril/2015 da revista do Instituto de Estudos Brasileiros – IEB, o professor e pesquisador Roberto Efrem Filho* faz uma análise do espetáculo O Deus da Fortuna, do Coletivo de Teatro Alfenim, explicitando as relações de classe, gênero e sexualidade presentes na peça e a maneira como as representações das relações sociais intervêm como estratégias do encontro com o “humano”.  Abaixo, segue o texto. O Coletivo Alfenim aproveita para anunciar a estreia do espetáculo inédito “Memórias de um cão”, em maio de 2015 na sede do Coletivo, Casa Amarela, no centro de João Pessoa. Em breve, mais informações!

    Lâminas de Corte: sobre três estratégias para o encontro com o “humano” – Roberto Efrem Filho

    Talvez as mais importantes contribuições intelectuais à compreensão da realidade em que um tempo se refaz (e que por ele é refeita) sejam aquelas tão maleáveis quanto afiadas. São interpretações do mundo capazes de penetrar as mais ermas searas, os mais intricados espaços, contorcendo-se, se necessário, reinventando-se. Walter Benjamin foi autor de contribuições assim. Enquanto os intelectuais de seu tempo definhavam desesperançosos diante do terror da sociedade capitalista que eles desvendavam – e que, de fato, era bastante assustadora, com seus nazismos, esteiras produtivas e surras no Pato Donald – Benjamin transitava com lâminas nesses terrenos cruéis. Lá, entre todas as tiranias, com gestos de coragem e ousadia, ele alcançava o espaço-tempo em que os oprimidos, apesar de tudo o que os nega e por isso mesmo, afirmam-se e nos permitem alguma esperança.

    (…)

    Leia o texto na íntegra no site da revista IEL: http://bit.ly/1Hty5yO

    ROBERTO EFREM FILHO: Professor do Departamento de Ciências Jurídicas da Universidade Federal da Paraíba e doutorando em Ciências Sociais junto ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas. E-mail: robertoefremfilho@gmail.com

  • COLETIVO ALFENIM ABRE INSCRIÇÕES PARA OFICINA DE FÉRIAS

     

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    Com patrocínio da Petrobras, o Coletivo de Teatro Alfenim prossegue com as atividades formativas do Projeto Figurações Brasileiras. A partir de 15 de janeiro de 2015, estarão abertas inscrições para a oficina de férias Exercícios para uma cena dialética. A oficina acontece de 26 a 30 de janeiro de 2015, na sede do Coletivo, a Casa Amarela, no centro de João Pessoa. É direcionada a atores e estudantes de teatro interessados em acompanhar o processo de finalização da dramaturgia do espetáculo Memórias de um Cão.

    O objetivo do trabalho é apresentar e desenvolver procedimentos de composição dramatúrgica a partir do universo literário de Machado de Assis, tendo-se como eixo a narrativa épico-dialética.  Através de exercícios dramatúrgicos elaborados com base no estudo da obra machadiana, a oficina oferece um espaço de experimentação e vivência do processo colaborativo que pauta o trabalho de escrita cênica do Alfenim. Os experimentos realizados durante a vivência visam a subsidiar o roteiro final da dramaturgia do novo espetáculo. A oficina acontece de segunda a sexta-feira, das 08:30 às 17:00, de forma a intensificar a vivência do processo colaborativo entre integrantes do Coletivo Alfenim e os oficinandos selecionados.

    Os interessados devem preencher o formulário abaixo até o dia 23 de janeiro de 2015.

    SERVIÇO:

    Data: De 26 a 30 de janeiro de 2015.
    Horário:  08:30 às 17:00 (com intervalo para refeição na sede).
    Local: Casa Amarela. Rua Amaro Coutinho, 163, Centro.
    Inscrições: 15 de janeiro a 23 de janeiro de 2015
    Resultado: 24 de janeiro de 2015.
    Número de vagas: 20

                 
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