• COLETIVO ALFENIM APRESENTA: HELENAS

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    Com dramaturgia de Márcio Marciano e direção de Paula Coelho, o Coletivo de Teatro Alfenim estreia em 26 de outubro na Casa Amarela, sede do grupo, seu mais novo espetáculo Helenas. A encenação parte da leitura de “Minha vida de menina”, diários de Helena Morley, pseudônimo de Maria Caldeira Brandt, que viveu em Diamantina (MG) no final do século XIX.

    A peça, voltada para o público infanto juvenil, retrata impressões registradas no diário de uma adolescente, entre seus treze e quinze anos de idade. Apesar de tratar-se de acontecimentos de infância vividos num ambiente rural em vias de precária urbanização, o olhar de encantamento e ironia com que a menina Helena descreve suas descobertas confere à narrativa extrema atualidade.

    Raça, gênero, crença, educação, bem como o lugar da mulher numa sociedade patriarcal, são abordados através do olhar ao mesmo tempo inocente e desafiador de uma menina que não se prende a regras ou estereótipos de comportamento.

     

    SERVIÇO

    Temporada: 26 de outubro a 15 de dezembro

    Horário: sextas às 19h / sábados às 17h

    Local: Casa Amarela, sede do Coletivo Alfenim – Rua Amaro Coutinho, 163 – Centro (paralela à Av. B. Rohan, no sentido Terminal de Integração)

    Mais informações: (83) 99624-8498/ (83) 99654-0835 / (83) 99914-1353

    Entrada: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia entrada)*

    (* Lugares limitados – é importante chegar com antecedência para garantir o ingresso. A bilheteria abre 1h antes do espetáculo)

    Classificação etária:

    10 anos

  • Fotos do espetáculo Memórias de um Cão

    Foto de Renato Domingos

    Foto de Renato Domingos

     

    Fotos de Felipe Ando

    Fotos de Felipe Ando

     

    Foto de Rosano Mauro

    Foto de Rosano Mauro

     

    Foto de Rosano Mauro

    Foto de Rosano Mauro

    Foto de Rosano Mauro

    Foto de Rosano Mauro

    Foto de Felipe Ando

    Foto de Felipe Ando

    Foto de Arthur Chagas

    Foto de Arthur Chagas

    Memórias de um cão (6)

  • Coletivo Alfenim e Baluarte lançam CD Canções de Cena

    O Coletivo de Teatro Alfenim fez show de lançamento do cd Canções de Cena em sua sede, a Casa Amarela, nos dias 19, 20 e 21 julho, às 19h. O trabalho é uma parceria do Coletivo Alfenim com o Baluarte, e tem patrocínio do Fundo Municipal de Cultura – FMC. Reúne composições dos espetáculos Quebra-Quilos (2007), Milagre Brasileiro (2010) e O Deus da Fortuna (2011). O show de lançamento conta com a participação dos músicos da banda e dos integrantes do Alfenim.

    Canções de Cena

    Sobre o cd Canções de Cena

    As canções e demais peças musicais reunidas no cd foram compostas durante o processo de escritura da dramaturgia dos espetáculos, com a colaboração de músicos e atores integrantes do Coletivo Alfenim.

    Os fragmentos de diálogos inseridos procuram oferecer ao ouvinte que não presenciou as respectivas montagens uma espécie de roteiro para a contextualização das composições musicais.

    Estas são executadas pelos atores e músicos do Coletivo Alfenim, com a participação dos integrantes do Baluarte, que também dividem os arranjos das gravações.

    Com o compromisso de reproduzir com a máxima fidelidade possível o contexto sonoro das cenas em suas respectivas montagens, os arranjos foram concebidos de modo a preservar o caráter contraditório das composições em sua performance teatral.

    Canções 3

  • Coletivo Alfenim é selecionado no Rumos Itaú 2018

    É com alegria que o Coletivo de Teatro Alfenim anuncia sua seleção no edital Rumos Itaú Cultural 2018. Foram 12.616 projetos inscritos, sendo cinqüenta e oito de outros países, como Argentina, Canadá, Alemanha e Moçambique.

    A proposta do Alfenim, na modalidade Criação e Desenvolvimento, propõe um estudo teórico-prático do “Complexo Fatzer” – conjunto de fragmentos escritos por Bertolt Brecht, no período de 1926 a 1930 – com vista à criação de uma dramaturgia autoral a ser realizada em processo colaborativo. No segundo semestre deste ano, divulgaremos as primeiras ações do projeto.

    Confira a lista completa dos projetos selecionados: https://rumositaucultural.org.br/selecionados

     

    Untergang des Egoisten Johann Fatzer - Theaterstueck von Bertolt Brecht, Regie: Manfred Karge, im Berliner Ensemble in Berlin, (v.l.): Joachim Nimtz (Fatzer), Matthias Zahlbaum (Buesching), Roman Kaminski (Koch), Thomas Wittmann (Kaumann), Ursula Hoepfner-Tabori (Therese Kaumann). Premiere des Stuecks ist am 28. Juni 2014.

    Untergang des Egoisten Johann Fatzer – Theaterstueck von Bertolt Brecht, Regie: Manfred Karge, im Berliner Ensemble in Berlin, (v.l.): Joachim Nimtz (Fatzer), Matthias Zahlbaum (Buesching), Roman Kaminski (Koch), Thomas Wittmann (Kaumann), Ursula Hoepfner-Tabori (Therese Kaumann). Premiere des Stuecks ist am 28. Juni 2014.

  • Memórias de um Cão no Teatro Santa Roza

    Foto de Renato Domingos

    Foto de Renato Domingos

     

    Nesta quinta-feira, dia 24/5, o Coletivo Alfenim apresenta o espetáculo “Memórias de um cão” no Teatro Santa Roza às 20h. O evento integra a programação local do Projeto de Circulação Nacional “Palco Giratório”, promovido pelo Sesc. A entrada são 2 KG de alimentos não perecíveis. No dia 26/05 acontece o espetáculo “Ramal 340”, do Coletivo Errática, de Porto Alegre. No domingo, dia 27/05, o Coletivo Alfenim e o Coletivo Errática se encontram na Casa Amarela, sede do Alfenim, para um intercâmbio.

    SOBRE O ESPETÁCULO

    A partir da leitura do romance Quincas Borba, o Coletivo Alfenim propõe uma alegoria tragicômica da desfaçatez com que a elite econômica e cultural brasileira tenta isentar-se de sua responsabilidade histórica pela barbárie que marca o processo de modernização do país. Pautando-se pela ironia contida nessa espécie de anti-romance modelar, o espetáculo procura expor as contradições de uma sociedade em formação que almeja reconhecer-se no espelho da modernidade, sem abrir mão de prerrogativas de classe como a exploração da mão de obra escrava, a espoliação do incipiente trabalho livre e a apropriação da riqueza nacional por parte de sua elite econômica, a partir da instrumentalização das instâncias do poder público, numa nação recém saída da condição de colônia portuguesa. E o faz tendo em mente que as semelhanças com a atualidade não são mera coincidência.

    SERVIÇO:

    Espetáculo “Memórias de um cão”
    Data: 24 de maio de 2018
    Horário: 20h
    Local: Theatro Santa Roza
    Entrada: 2 kg de alimentos não perecíveis

  • Portfólios do Coletivo de Teatro Alfenim

    Portfólio – Deus – Brevidades – QQ

    Portfólio com Clipagem – Memórias de um cão

    Portfólio Milagre Brasileiro

  • O QUE VEM POR AÍ EM 2018!

    Memórias de um cão - Coletivo Alfenim

    Já estamos em sala de ensaios preparando a reestreia de “Memórias de um cão”. O espetáculo cumprirá mini-temporada na Casa Amarela antes de iniciar projeto de circulação pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura. Após as apresentações em nossa sede, partimos para Vitória, Rio de Janeiro e São Paulo. Em breve, divulgaremos a programação completa.

    Em paralelo à circulação, seguiremos com os estudos para a montagem de novo espetáculo a partir da leitura de “Minha vida de menina”, de Helena Morley. Após três meses de intensivo trabalho de experimentação, vamos retomar os ensaios com previsão de estreia ainda no primeiro semestre de 2018. Este projeto está sendo realizado com recursos próprios, sem qualquer apoio institucional ou patrocínio.

    Processo Minha Vida de MeninaTambém neste primeiro semestre acontecerá o show de lançamento do cd “Canções de Cena”, que tem patrocínio do FMC – Fundo Municipal de Cultura. O trabalho reúne as composições musicais dos espetáculos “Quebra-Quilos” (2007), “Milagre Brasileiro” (2010) e “O Deus da Fortuna” (2011). Além dos integrantes do Alfenim, o cd conta com a atuação e parceria da banda Baluarte.

    Encarte do cd (01)-1

  • Penúltima semana da temporada de Milagre Brasileiro na Casa Amarela

    MB - Raquel Diniz

    Penúltima semana do espetáculo Milagre Brasileiro na Casa Amarela, todas as quintas e sextas-feiras até 02 de junho, às 19 h. Lugares limitados.

    Sinopse
    MILAGRE BRASILEIRO é um espetáculo experimental que aborda os “anos de chumbo” da Ditadura Militar, culminando com a decretação do AI-5. Seu foco é o “desaparecido político”. Sujeito cuja estranha condição, nem morto nem vivo, serve de ponto de partida para a investigação de um dos períodos mais sombrios da história brasileira. A partir da experimentação de novas formas narrativas, e com a execução ao vivo de sua partitura musical, o espetáculo põe em cena a figura mítica de Antígona para dialogar com nossos mortos. Também utiliza como referência o “teatro desagradável” de Nelson Rodrigues e seu “Álbum de Família”.

    Teaser: https://www.youtube.com/watch?v=6cpESNE8KQE

    SERVIÇO
    Temporada de Milagre Brasileiro na Casa Amarela
    Temporada: 04 de maio a 02 de junho, todas as quintas e sextas.
    Horário: 19h
    Local: Casa Amarela (sede do Coletivo Alfenim). Rua Amaro Coutinho, 163 – Varadouro (paralela à Av. B. Rohan, no sentido Terminal de Integração)
    Ingressos: R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia).
    Lugares limitados.

  • COLETIVO ALFENIM ABRE INSCRIÇÕES PARA OFICINA GRATUITA

    Minha vida de menina

    O Coletivo Alfenim inicia processo de estudos para a montagem do espetáculo “Meninas”, livremente inspirado no livro “Minha vida de menina”, de Helena Morley. O livro reúne os diários escritos pela autora durante sua adolescência, dos treze aos quinze anos, na cidade de Diamantina (MG), em fins do século XIX. A oficina para atores visa produzir material cênico e dramatúrgico que servirá de base para a nova montagem do Alfenim, com estreia prevista para o segundo semestre de 2017. Através de improvisações com fragmentos do diário de Helena Morley, e com relatos das reminiscências de infância e adolescência dos participantes, a oficina objetiva construir um experimento cênico aberto ao público ao final do processo. Os atores interessados devem enviar breve currículo e pelo menos três relatos sobre sua infância e adolescência para o endereço teatroalfenim@gmail.com

    O primeiro relato deve ter como personagem preferencial os avós do participante. O segundo relato deve centrar-se na figura do pai, mãe, tios ou parentes próximos do participante. O terceiro relato deve centrar-se na experiência do próprio participante. As inscrições estarão abertas no período de 23 de maio a 04 de junho de 2017. Os selecionados serão informados por e-mail no dia 10 de junho. A oficina acontece no período de 12 a 16 de junho, das 14:00 às 18:00, na Casa Amarela, sede do Coletivo Alfenim.

    SERVIÇO
    Oficina gratuita para a montagem do espetáculo “Meninas”.
    Inscrições: 23 de maio a 04 de junho de 2017
    Resultado: 10 de junho de 2017
    Local da oficina: Casa Amarela. Rua Amaro Coutinho, 163, Varadouro. Rua paralela à Av. B. Rohan (sentido integração)
    Data: 12 a 16 de junho de 2017
    Horário: 14 às 18 h
    Informações: (83) 9 9624-8498

  • O fazer teatral como exercício diário para a construção de uma utopia* – Márcio Marciano

    • Porto Iracema das Artes
      *Texto de Márcio Marciano para oficina “Exercícios para uma cena dialética” no Porto Iracema das Artes (Fortaleza/ março de 2017)

       

      Se vocês me permitem, vou começar dizendo que o título da minha fala, “O fazer teatral como exercício diário para a construção de uma utopia” está fora do lugar. Basta uma ligeira leitura do noticiário para reforçar o ponto de vista de que o fazer teatral não tem a mínima chance de construção de uma utopia. Esta afirmação é muito pessimista, mas pode ser um bom começo de discussão sobre o que podemos fazer em tempos de descrença e desesperança como os atuais. Para começar, precisamos estar de acordo sobre o que é o fazer teatral e sobre o que entendemos por utopia.

      Com relação ao fazer teatral, parece óbvio que se trata do cotidiano na sala de ensaios: o modo como treinamos o corpo e a mente, o aprendizado de técnicas e competências, o estudo da história, da economia, das ciências e das artes. Assim como o estudo do teatro, em seus diversos gêneros e especialidades etc. É também o modo como conduzimos o processo de pesquisa para a montagem de uma peça. Mas, sobretudo, é a escolha que faz um determinado coletivo sobre a forma mais produtiva de interlocução com a sociedade. Tudo isso parece elementar e comum à maioria dos coletivos teatrais na atualidade. Guardando-se a diferença de ênfase em cada um desses fundamentos, é do cotidiano na sala de ensaios que surge o resultado que será compartilhado com o público.

      Quanto ao objetivo deste fazer teatral, naturalmente podem surgir divergências. Há aqueles que perseguem a inovação da linguagem, há outros mais interessados em tratar os grandes temas da condição humana, ainda que menos preocupados com as questões formais. Há aqueles mais interessados na prospecção da própria subjetividade e aqueles que almejam reproduzir os clássicos. Há os que objetivam abertamente os temas sociais e políticos, e aqueles que preferem temas de ordem existencial. Há os que buscam pautas prementes da contemporaneidade, como a discussão de gênero, crença, raça etc. e aqueles que preferem reativar a memória pessoal ou de um determinado grupo. Há os que se preocupam com o recorte histórico e os que preferem leituras mais metafísicas ou transcendentes. Há os que preferem apenas fazer rir e aqueles que se esforçam por fazer chorar. Há por fim, aqueles que tentam uma sobreposição ou colagem, uma paródia ou síntese de todos os objetivos antes mencionados.

      Contudo, apesar da infinita variedade de temas e de formas de abordagem, podemos afirmar que há entre todos esses fazeres teatrais o objetivo comum de comunicação com o público de seu tempo. Nesse sentido, podemos dizer que uma das principais características do fazer teatral é sua capacidade de realizar experimentos cênicos ou espetáculos teatrais que se comportem como uma espécie de crônica de seu momento histórico.

      Uma rápida leitura dos clássicos da dramaturgia universal, ou a observação de documentos fotográficos e videográficos de espetáculos do passado podem comprovar a vocação do Teatro para o testemunho das contradições, dilemas, perplexidades e esperanças de uma época. Essa parece ser a grande qualidade das Artes Cênicas, seu poder de retratar poeticamente o que existe seja de mais abjeto ou de mais sublime nas relações afetivas, interpessoais e sociais entre os homens de seu tempo.

      Se já nos entendemos minimamente sobre a natureza geral e o propósito último do fazer teatral – que vão muito além da veleidade artística de “estar em cena” – precisamos agora avançar sobre o conceito de utopia. Bem antes de Thomas More cunhar o termo, o filósofo Platão, já idealizava em sua República as condições necessárias para incorporar à realidade histórica a ideia do bem e da justiça. Não podemos esquecer que ele bane os poetas e rejeita a arte mimética por sua imperfeição e por situar-se “três graus distante da natureza”. Sem entrar no mérito da questão, é importante ressaltar que a ideia de utopia é anterior ao próprio termo. Refere-se a um sistema de valores ideal, irrealizável, mas que deve ser perseguido.

      O termo utopia vem do grego e significa “o não-lugar” ou “lugar que não existe”. De modo geral, podemos utilizar o termo utopia para denominar projetos imaginários de sociedades perfeitas, de acordo com princípios filosóficos nos quais acreditamos. Um conjunto de proposições que aspiram à transformação da ordem social existente, de acordo com os interesses de determinados grupos ou classes sociais. O problema começa quando nos perguntamos de que modo o fazer teatral pode enfrentar a complexidade da realidade social existente. De que maneira um grupo de pessoas fechadas numa sala de ensaios pode produzir questionamentos acerca das contradições que a atualidade nos apresenta?

      Nessa perspectiva, parece que o pensamento utópico se constitui como fuga da realidade, como tangenciamento da matéria histórica, como escape ilusionista. Parafraseando Platão, a utopia surge não apenas como algo “três vezes distante da natureza”, como também algo três vezes distante da história. A atualidade parece não apenas negar a alternativa ao pensamento utópico, como sugere ser inevitável o extravio rumo à distopia. Não é à toa que a palavra “distopia” está na moda. Há inúmeros exemplos na literatura, no cinema e no próprio teatro que comprovam a incapacidade contemporânea de sonhar um mundo habitável para todos.

      Só para ficar no âmbito dos filmes mais recentes e conhecidos: Guerra dos Mundos (1953/2015); O Planeta dos Macacos (1968/2017); Mad Max (1979/2015); Blade Runner (1982); O Exterminador do Futuro (1991); Clube da Luta (1999); Matrix (1999); e as trilogias Jogos Vorazes (2014); Divergente (2014); e Correr ou Morrer (2014).

      O que essas obras apontam? Grosso modo, são filmes que se passam em um futuro imaginado ou em uma realidade paralela. Procuram fazer uma crítica social, mas com forte teor moralizante. A distopia é engendrada pela ação ou pela omissão humanas. O indivíduo é presa de um sistema generalizante, totalmente controlado. Há uma supremacia da tecnologia, ou dos efeitos de sua destruição. Tudo o que é coletivo é estúpido ou desumanizado, o poder está nas mãos de uma elite que detém o conhecimento. O controle é realizado por meio da violência que é sistêmica e banalizada.

      Na essência, esses filmes reproduzem a estrutura das moralidades medievais, com a diferença de que não há espaço para a redenção divina. O indivíduo sofre uma dupla violação: ao mesmo tempo em que sua subjetividade é esfacelada, sua autonomia de sujeito é reduzida ao reflexo instintivo da sobrevivência.

      Se retornarmos ao noticiário atual, veremos que a semelhança com os fatos não é mera coincidência. Diante desse quadro, não soa ingênuo pensar na utopia? Pensar numa sociedade menos injusta e mais generosa?

      Pois é justamente aí que o fazer teatral pode dar uma importante contribuição. Não no sentido da proposição de uma sociedade ideal, mas como revelação e denúncia dos mecanismos de dominação de classe da sociedade atual. Se utopia significa o “lugar que não existe”, é essencialmente deste “não-lugar” que podemos lançar nosso olhar inconformado sobre as contradições da atualidade, com vista à construção de um pensamento crítico sobre as relações humanas, seja no campo existencial e afetivo, seja na esfera social e política.

      Não podemos perder de vista que o teatro é uma arte pública. É a partir do diálogo produtivo entre cena e plateia que podemos construir um pensamento ao mesmo tempo crítico e utópico capaz de oferecer resistência à lógica desumanizadora do capital e da forma mercadoria. Deste modo, o fazer teatral exige o comprometimento coletivo de seus agentes. A incorporação produtiva de toda e qualquer diferença, a horizontalização de todas as relações humanas e a resistência permanente ao pensamento hegemônico. Nesse sentido, o legítimo fazer teatral é ele mesmo utópico, não porque sonha com mundos impossíveis e dá as costas à realidade. Mas justamente ao contrário, porque em sua lide cotidiana inventa alternativas de convívio à brutalização e objetualização das relações sociais. Porque invoca em seu favor a imaginação humana contra a lógica avassaladora do capital e inventa cotidianamente formas de resistência à mercantilização da vida.

      Antes de passar a palavra para vocês, gostaria de encerrar minha fala com uma citação do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, que foi um incansável pensador do fazer teatral. Ele dizia: “No teatro, não devemos ter a pretensão de mostrar a vida como ela é. Tampouco como gostaríamos que ela fosse. No teatro, temos o dever de mostrar a vida como ela não deveria ser”.

                 
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